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3 de junho de 2019

Já Handa




Fui finalmente buscar a Lambretta.
Já tinha saudades dos travões que mal funcionam, de não a conseguir pôr a trabalhar sem colocar todo o meu peso no pedal, da vibração que me adormece as mãos, do barulho ensurdecedor do escape.
Numa palavra, já tinha saudades da imperfeita perfeição do fabricante de Milão.
Ainda estando em rodagem e para evitar tentações, esqueci as vias rápidas e rumei a casa sempre pela costa, parando aqui e ali para admirar "La Bella Italiana"

Obrigado de novo à Motocentral pelo excelente trabalho e dedicação






24 de maio de 2019

Não, não a podes levar

Por mail o Ribeiro anuncia-me que a Handa Nagazoza está pronta. Só faltam umas afinações e arrumar a fiarada.
Obviamente no dia seguinte estava lá eu às primeiras horas da manhã.
Já que aqui estás... o computador isto e aquilo... e noticias da Lambretta nada.
Decido eu perguntar. Sim, só falta arrumar a fiarada no cabeçote e umas afinações, mas olha lá, queres leva-la já hoje?
Arrumar a fiarada e afinar umas coisas é coisa para na Motocentral fazerem em minutos!
Lá me explica. Ela está a andar que se desunha, já ando com ela há dois depósitos e como já sei que tu gostas de ver até onde ela aguenta, desta vez faço eu a rodagem!
E mais nada!
Pode haver coisa melhor que um mecânico que se preocupa connosco?
Obrigado Ribeiro.







Posso então ao menos dar uma voltinha? Devagar?





19 de maio de 2019

Handa Nagazoza ameaça regressar à estrada

Na continuação do relatado aqui, coloquei mãos à obra e comecei a pesquisar a fundo por um pistão ligeiramente mais largo que me permitisse reutilizar o cilindro. Inicialmente tinha sido pensada uma substituição integral da camisa do grupo térmico, mas quando nos recordamos das horas gastas de lima das unhas na mão, a desenhar e amaciar as generosas janelas do cilindro, reavaliamos as nossas prioridades. No entanto o oversize do pistão que nos poderia permitir usar o cilindro do motor, teria de ser metade do habitual, de forma a não reduzir perigosamente a espessura da bridge da janela de escape. Após algum tempo encontro um fornecedor Italiano com a solução. Telefono-lhe. Confirma que o tem, mas como a marca em questão tem um representante em Portugal, a importação teria de ser feita por ele. Indica-me o contacto e diz-me que vai já colocar um de lado. Um mail para a empresa de cá e 48h depois o pistão está na oficina. O mercado europeu também tem vantagens.
Assim o conjunto rapidamente segue para o retificador, de onde volta com as tolerâncias exatas. A Motocentral tem excelentes contactos.


Está na hora de instalar o grupo térmico no motor, colocar uma nova embraiagem e devolver o motor ao quadro.





Depois de substituir tudo o que é cabos de aço e alguma fiarada eléctrica, o próximo passo será escolher o carburador e reanimar o coração laranja da Handa Nagazoza.
Stay tuned.








15 de abril de 2019

A irreverência da adolescência

Não há como escapar. O crescimento, principalmente na fase da adolescência, vem sempre acompanhado de mais ou menos dores, atropelos, asneiras e atrevimentos.
É o sentir todo o sistema afinado e a trabalhar em conjunto, é a comparação com os outros, de preferência com vantagem, é até o desafio dos limites pessoais porque sim.
Não sendo isto um mal em si, é um processo que convém ser acompanhar, monitorizar, ajudar e orientar.
É de uma realização pessoal inigualável quebrar barreiras e exceder limites.
E na verdade é também assim que se conhece e dá a conhecer capacidades e limitações. Percebe-se o que há a melhorar e aceita-se o que vai ficar assim.
Mas este processo por vezes traz estragos, sendo de uma importância fulcral medi-los e minimiza-los. Tentar tirar do horizonte de excessos o que possa trazer danos irreversíveis e simultaneamente aproveitar os momentos de experiência com os riscos controlados.

Foi o que aconteceu com a "Handa Nagazoza"! Depois de muitas estradas percorridas a tentar perceber as potencialidades do motor tão cuidadosamente preparado pela Motocentral no inicio de 2014, surgiu o momento em que a perda do óleo especialmente concebido para as rotações que ele agora atinge, na sequência de um percurso mais duro fora de estrada, não restou alternativa senão usar um óleo normal para continuar a saga do Lés a Lés com que se estava a desafiar. Esta situação obrigaria, até se conseguir adquirir um lubrificante à altura, a um andamento mais moderado. A chatice é que o prazer de viajar com amigos em máquinas igualmente rápidas, leva a que se venha a esquecer, com alguma facilidade, esta limitação temporária e, Km após Km, se aperte um pouco mais com o acelerador. Até que, mesmo no centro geodésico de Portugal, ele disse chega! A velocidade excessiva, o calor do dia e uma subida acentuada, uniram-se para fazer o motor desta vigorosa Lambretta gripar! Felizmente sem consequências físicas para o piloto, o bloqueio da roda traseira ameaçava o final da aventura mesmo ali, a mais de um dia do seu término.
Não era só por mim que a situação previa uma desilusão com o fim precoce da aventura. É que tal como os Mosqueteiros, um por todos e...., este acontecimento poderia ditar o fim do divertimento de quatro amigos. Não podia ser. Pelo menos sem antes tentar tudo.
Saco de ferramentas para fora e começa-se a desmontar o grupo térmico. Depressa começamos a perceber que apesar de bloqueado, o motor não parecia ter quebras nos componentes. Uma pequena luz no horizonte. Com os conhecimentos conjugados de mim, do Miguel e do Paulo na criação de uma inteligência comum supervisionada pelo olhar atento da câmara fotográfica do Vasco, ponto a ponto fomos analisando os danos e tentando libertar o motor. Até que conseguimos. Graças à qualidade dos materiais usados na transformação que apesar da dilatação excessiva não partiram, o motor soltou. Faltava conseguir que trabalhasse. Após um acontecimento destes, a compressão no cilindro fica seriamente afetada e como todo o conjunto está afinado para um certo nível de performance, coloca-lo de novo a trabalhar não se afigura nunca uma tarefa rápida. Mas na verdade passa apenas por empurrar! Vigorosamente, é verdade, mas é apenas empurrar. Éramos quatro e a estrada subia... e portanto descia também. Iniciamos a saga de forçar o motor a rodar, à maior velocidade possível e durante bastante tempo. Já todos com as pernas esgotadas e com o final da descida a aproximar-se rapidamente, começávamos a considerar desistir. Até que o motor dá o primeiro sinal. Débil, quase inaudível, mas deu um sinal. Gritei para o resto dos "empurradores" que não desistissem agora, reparando nessa altura que dois jaziam já exaustos na berma. Restavam eu e o Miguel. O Miguel é um lingrinhas, mas com uma capacidade muscular equivalente a um rebocador industrial. Mais uns metros (que pareceram quilômetros) e o motor começa a funcionar!
Êxtase coletivo. Enquanto um mantinha o motor acelerado os outros recuperavam o folego e iam corrigindo as afinações para o novo estado do motor.
Sucesso. Uns 60 minutos depois da paragem forçada, estávamos já de novo a curvar como se não houvesse amanhã e apesar da perda de alguma potencia, a Lambretta completou com sucesso a viagem, retornando a casa sempre a trabalhar.
Depois de uns largos meses (mais de um ano... ou dois) de repouso, voltou agora à Motocentral para avaliar os danos e tratar da reparação. Já se percebeu que o cilindro é recuperável, o pistão não. Aguarda-me agora a tarefa de conseguir encontrar novo pistão com as características corretas, o que num motor com uma preparação não de série nunca é fácil. Já agora olhamos de lado para o carburador e percebemos que era engraçado colocar um maior!

Veremos.