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25 de março de 2012

Winter Project 2011/2012

Com uma cadência pelo menos anual, mas de preferência sazonal, gosto de renovar.
Sujar as mão, enveredar por algo novo, meter-me em coisas que não sei fazer. Acho importante esta renovação cíclica, este traçar de objectivos.
As scooters têm sido a minha principal escolha dos últimos anos, até porque descobri que além de fumo fazem amigos.
Para este Inverno estava previsto algo parecido com elas, mas afinal vai ter de aguardar um pouco mais no fundo da garagem. A minha menor disponibilidade, a necessidade de acompanhar situações e momentos da vida importantes, explicaram-me que deveria ficar mais por casa, para já. A ver televisão, ou talvez não...
Gosto de esticar os braços, sair sem saber para quê, usufruir da rua. Gosto de momentos em família. Seria um bom projecto juntar estas gostos.
A ideia surgiu por culpa de uns amigos que decidiram recentemente enveredar pelo caminho inteligente da mobilidade urbana e transformar uma loja de sementes com cheiro a quase maresia na "Meca Nortenha" do bom gosto ciclístico. A Veloculture, claro.
Ainda na fase de transformação da sementeira em salão de exposição de rodas raiadas, este jovem casal que não cheguei a conhecer, decide marcar a minha retina com esta imagem e organizar os meus pensamentos numa direcção:
 Quero uma destas!
Afigurava-se-me a possibilidade de sujar as mãos, fazer algo menos comum e poder usufruir de uns passeios relaxados na companhia da minha mulher. O triângulo perfeito. Ainda recolhi os preços de alguns Tandem já feitos, mas à excepção de um ou dois modelos com componentes de qualidade duvidosa, eram todos estranhamente caros!
Vou construir uma então.
Recolhi opiniões, principalmente do trio do MMM, os conhecidos Duendes, e iniciei uma recolha de informações pela net, com especial destaque para o site da Harris Cyclery, onde consegui organizar ideias e aprender alguma técnica. Ao apresentar esta ideia aos duendes do MMC, logo estes se prontificaram a ajudar no que pudessem, o que inclusivamente resultou na herança da Nortada. O meu mecânico das Scooters, a Motocentral, colaboraria também.
Lancei-me à procura da base, ou seja do quadro, ou melhor de dois quadros de bicicletas de montanha, simples e iguais. Nessa pesquisa fui dar a uma antiga oficina de motorizadas, lá para os lados de Grijó, onde depois de me perguntarem para que diabo eu queria dois quadros, me levaram para as catacumbas da oficina e me apresentaram um quadro de tandem muito antigo que logo regressou comigo. Teria sido construído lá, há mais de 35 anos, a partir de duas "pasteleiras", para o sobrinho do dono que teria perdido o entusiasmo a meio da construção:




Pareceu-me ideal. Pouco enferrujado, com 35 anos de pó, pouco amassado e totalmente "old school". Muito melhor do que eu esperava conseguir com dois quadros velhos de montanha.
Seguiu em pouco tempo para a Motocentral, onde foi limpo, decapado, analisado, melhorado e pintado.
Regressou "novo":
Iniciou-se aqui todo um processo de escolha dos componentes no que respeita à qualidade e ao design, adaptação dos mesmo a uma estrutura maior que aquela para que foram desenhados e construção de algumas peças especificas destes veículos. Foi a altura em que os desafios foram maiores e por vezes quase me levaram a arrepender da empreitada. Ainda bem que não aconteceu. Aos poucos, aquela estrutura de metal pintado começou a ganhar forma e a parecer-se com a ideia final que vivia no meu imaginário:

 
Tentei adicionar alguns pormenores que achei bonitos, como pára lamas, guiadores antigos, selins largos, pneus gordos, porta couves, campainha cromada...
Até que no fim de semana passado ficou completa:
Estava pronta para o primeiro Test Drive:





Era ainda mais divertida do que eu imaginara. Claro que ainda vai precisar de algumas afinações e ajustes para se adequar à utilização que lhe quero dar, mas no geral aprovou. Acho que foi, logo depois da Heinkel, o projecto que mais gozo me deu. Gosto do look antigo combinado com componentes mais modernos e eficientes, gosto do comportamento a andar e cumpriu o meu objectivo que era o passeio a dois. Curiosamente no dia do Test Drive serviu mais do que dois. Muita gente, entre amigos e vizinhos, quis experimentar aquela Old-School "semi-pasteleira" XXL.
Estou contente. Venha o próximo projecto.
Os meus agradecimentos ao Bob, SergioSousa, Miguel Barbot, Motocentral e outros que com as suas dicas e ideias foram-me ajudando a construir esta Tandem Bike. Se me esqueci de referir alguém, tenham a certeza que não me esqueci de que me ajudaram.
Obrigado

23 de fevereiro de 2012

Kinder "Nortada" Surpresa

Hoje fui trabalhar de bicicleta. Por si só isto não tem lá muito de especial.
Moro a uma cota de cerca de 100m e trabalho a uma cota de 40m. Já voltar para casa é outra história!
Como me decidi a não deixar "morrer" a Nortada do Miguel (ainda estou para perceber donde veio o nome!), fui nela.
No regresso, o barulho que fazia começava a preocupar-me! Considero que as minhas "skills" de mecânica estão ao nível de uma criança de 4 anos a brincar com Legos, mas mesmo assim fui eu que afinei a bicicleta.
A cada pedalada ela estalava, chiava e resmungava... mas andava. Chegado ao paralelo o barulho que ela fazia assemelhava-se a um Trabant com um milhão de Km's a descer um corta-fogos duma mata de terreno rochoso com os pneus vazios e a mala aberta!
Chegado a casa resolvi tentar descobrir o que diabo chocalhava tanto, porque era mesmo isso. Chocalhava! Olhei de um lado, do outro, abanei e virei-a de rodas para o ar. Nem sei bem para quê, mas virei. Ouvi o chocalho mover-se!
Resolvi começar a desmontar. Primeiro o selim... e não foi preciso mais nada:
Estavam dentro do quadro três chaves de bocas!
Estou para ver que surpresas mais me reserva esta velo-menina com nome de fenómeno meteorológico. :)
Miguel, troco as chaves por companhia ao almoço.

21 de fevereiro de 2012

Anti Apocalipse Scooterista

Venho aqui assumir publicamente e envergonhadamente que já não sei que gasolina tenho nas scooters e suspeito que os pneus precisam de ar.
Mas não baixo os braços. O anunciado e pelo vistos já chegado Apocalipse Scooterista vai ter de lutar muito para ficar.
O próximo passo é encher o depósito:

A responsabilidade da história

Disse-vos atrás que bicicleta para mim nem vê-la. E é verdade. No entanto arranjei uma solução transitória e de uma maneira curiosa. Como já referi estou a trabalhar num projecto a pedais (que por acaso nunca mais sai) e o Miguel da Veloculture ao saber ofereceu-me uma bicicleta incompleta que já não usava, para ver se eu conseguia aproveitar algumas peças. Mais uma vez obrigado, Miguel.
Mas eu achei que era um crime estragar uma bicicleta como aquela, de alumínio, travões de disco e outros requintes que tais e devolvi-lha! Acabou por ir parar ás mãos do Bob da Veloculture que estava a trabalhar também num projecto. Uns dias depois liguei-lhe e perguntei se ela estava muito mais incompleta. Não a tinha usado. Pedi-lhe se ma cedia e comecei a completa-la. Não é uma citadina, mas a verdade é que acaba por ser bastante prática e depois de um selim novo, pneus, corrente e pedaleira, já tenho bicicleta para mim :) Obrigado aos dois.

Esta semana a história ganha outros contornos quando, no passado Domingo, fui dar um passeio de bicicleta com a minha mulher. Antas, Ribeira, Foz, Matosinhos... e no caminho encontro o Miguel. Reconhecendo a bicicleta conta-me um facto que me deixa com um peso considerável nos ombros. Foi com esta bicicleta que ele, na pele de "Velho Lau", se iniciou no ciclismo urbano!
Quer isto dizer que tenho à minha guarda a primeira bicicleta de uso urbano de um dos três sócios da Meca que é a Veloculture! Tentarei estar à altura.
Abraço e obrigado