Nos passados dias 14 e 15 de Julho, o Estádio do Dragão albergou a segunda
edição da Festa da Moto, iniciativa do Motoclube do Porto em parceria com a
Porto Comercial e apoiado pela Henisa Cash & Carry.
De novo um super-evento a reunir concessionários de motos da Invicta,
instituições que a usam no dia a dia como o INEM ou a PSP, exposição
de motos e scooters clássicas e ainda provas de Trial de bocicleta e de moto, acompanhadas pelo relato do incansável Ernesto Brochado do MCP, "pai" do famoso Lés-a-Lés. Por todo o lado encontrei caras conhecidas do mundo das
motas e das scooters que aqui se uniam num só. Um passeio de regularidade com
prelúdio de gincana, permitiram-me desfrutar de uma boa passeata junto ao Rio Douro acompanhado por amigos e o concurso para clássicas ofereceu-me um momento especial na entrega de prémios,
onde nem eu nem a Heinkel viemos de mãos caídas.
Obrigado e parabéns a todos.
Os mais puristas estão neste momento a mudar de página, mas
para os que ficaram fica um segredo: Pedalar também faz bem ao ego.
Numa altura em que eu também redescobri o prazer de andar de
bicicleta, nascem várias iniciativas que pretendem mostrar ao mais distraídos
que a bicicleta está de volta.
Depois de décadas capitalistas de ostentação, em que se
cimentou a ideia de que as bicicletas ou são para os que não têm carro o que
quererá dizer que não tem dinheiro e não ter dinheiro é ser pobre, ou para as
crianças, ou para os ciclistas semi profissionais, que transportam as suas
bicicletas caríssimas de carbono pagas por vezes a prestações, no tejadilho dos
carros, para depois descerem montes e vales ou passearem por uma qualquer
ciclovia lúdica, equipados a rigor com aquela roupa justa e profissional de lycra,
muito pouco chic diga-se de passagem.
Estes eventos Cycle Chic, pretendem uma abordagem diferente. Com
uma inegável ligação ao mundo da moda, assumida pelo dress code mais ou menos
exigido, pretendem mostrar o lado bonito de pedalar. Não é um show-off de
bicicletas e gente gira, mas uma prova de que o fato de treino ou a lycra são dispensáveis. E
desengane-se quem pensava que os participantes têm medo de molhar o penteado ou
os vestidos rendados.
Assim decidi pegar na minha bicicleta mais gira (que por
acaso leva duas pessoas), na minha filha mais gira (que por acaso é a única),
vestir-me como no dia a dia e juntar-me a eles.
Em boa hora o fiz, pois a simpatia e o colorido de imediato
me prenderam. O passeio foi um convívio entre aguaceiros que nada mais fizeram
do que refrescar a vontade de passear, com música no passeio patrocinada por
uma loja que agora já não sei se é de música ou de bicicletas também giras,
Pit-Stops fotográficos promovidos pelos Media e um pic-nic que não sei se
chegou a acontecer, mas concorreu ao lugar de melhor ideia do dia.
A repetir. Pena que agora seja só lá para Outubro. Estas
ideias cimentam-se melhor se forem mais regulares.
Boletim Informativo: Os amigos da Heinkel na Motorclassico 2012
A convite do Museu do Caramulo, os AMIGOS DA HEINKEL montaram um magnifico stand com as suas bonitas maquinas , que decorreu na Motorclassico na Fil
em 20 -21 e 22 de Abril de 2012.
Aqui fica um vídeo feito pelo nosso amigo "Super Mário":
Em 2006, Pierrote HervéIncognitoMorard, escreviam num artigo publicado na Moto-Station.com, sobre a 70 ª edição do "RallydeAin", evento organizado desde 1913pela União Motociclista de Ain, em França. Comentavam, entre outras epopeias destas corridas, sobre a presença em 1968 e 1969 de um grupo de participantes alemães que corriam pela ADAC, que é o equivalente alemão ao nosso ACP, com scooters Heinkel. "Faziam-se à estrada na sexta-feira depois do trabalho, participavam nas competições e regressavam mesmo a tempo de voltar ao trabalho na segunda de manhã." Só mesmo com o conforto de uma Heinkel se consegue fazer isto!
RainerBratensteinna página oficial do Clube Heinkel oferece-nos algumas fotos dessas participações.
Depois de duas ou três saídas estava na hora de fazer umas afinações finais na dupla, mas como isto da mecânica das bicicletas nem sempre é tão fácil como pode parecer, lá tive que recorrer a ajuda qualificada.
Hoje em dia e na zona do Porto, todos sabem que mais qualificado que o trio da Veloculture não existe.
Assim, como dois dos sócios têm estado a "laurear a pevide" por terras de Sua Majestade, esperei por sábado para que o Bob, Boinga ou Hugo como preferirem, pusesse o seu conhecimento ao serviço do meu "Home-Made Tandem".
Ficou 5 estrelas.
Obrigado à Velo e ao Hugo.
Com uma cadência pelo menos anual, mas de preferência sazonal, gosto de renovar.
Sujar as mão, enveredar por algo novo, meter-me em coisas que não sei fazer. Acho importante esta renovação cíclica, este traçar de objectivos.
As scooters têm sido a minha principal escolha dos últimos anos, até porque descobri que além de fumo fazem amigos.
Para este Inverno estava previsto algo parecido com elas, mas afinal vai ter de aguardar um pouco mais no fundo da garagem. A minha menor disponibilidade, a necessidade de acompanhar situações e momentos da vida importantes, explicaram-me que deveria ficar mais por casa, para já. A ver televisão, ou talvez não...
Gosto de esticar os braços, sair sem saber para quê, usufruir da rua. Gosto de momentos em família. Seria um bom projecto juntar estas gostos.
A ideia surgiu por culpa de uns amigos que decidiram recentemente enveredar pelo caminho inteligente da mobilidade urbana e transformar uma loja de sementes com cheiro a quase maresia na "Meca Nortenha" do bom gosto ciclístico. A Veloculture, claro.
Ainda na fase de transformação da sementeira em salão de exposição de rodas raiadas, este jovem casal que não cheguei a conhecer, decide marcar a minha retina com esta imagem e organizar os meus pensamentos numa direcção:
Quero uma destas!
Afigurava-se-me a possibilidade de sujar as mãos, fazer algo menos comum e poder usufruir de uns passeios relaxados na companhia da minha mulher. O triângulo perfeito. Ainda recolhi os preços de alguns Tandem já feitos, mas à excepção de um ou dois modelos com componentes de qualidade duvidosa, eram todos estranhamente caros!
Vou construir uma então.
Recolhi opiniões, principalmente do trio do MMM, os conhecidos Duendes, e iniciei uma recolha de informações pela net, com especial destaque para o site da Harris Cyclery, onde consegui organizar ideias e aprender alguma técnica. Ao apresentar esta ideia aos duendes do MMC, logo estes se prontificaram a ajudar no que pudessem, o que inclusivamente resultou na herança da Nortada. O meu mecânico das Scooters, a Motocentral, colaboraria também.
Lancei-me à procura da base, ou seja do quadro, ou melhor de dois quadros de bicicletas de montanha, simples e iguais. Nessa pesquisa fui dar a uma antiga oficina de motorizadas, lá para os lados de Grijó, onde depois de me perguntarem para que diabo eu queria dois quadros, me levaram para as catacumbas da oficina e me apresentaram um quadro de tandem muito antigo que logo regressou comigo. Teria sido construído lá, há mais de 35 anos, a partir de duas "pasteleiras", para o sobrinho do dono que teria perdido o entusiasmo a meio da construção:
Pareceu-me ideal. Pouco enferrujado, com 35 anos de pó, pouco amassado e totalmente "old school". Muito melhor do que eu esperava conseguir com dois quadros velhos de montanha.
Seguiu em pouco tempo para a Motocentral, onde foi limpo, decapado, analisado, melhorado e pintado.
Regressou "novo":
Iniciou-se aqui todo um processo de escolha dos componentes no que respeita à qualidade e ao design, adaptação dos mesmo a uma estrutura maior que aquela para que foram desenhados e construção de algumas peças especificas destes veículos. Foi a altura em que os desafios foram maiores e por vezes quase me levaram a arrepender da empreitada. Ainda bem que não aconteceu. Aos poucos, aquela estrutura de metal pintado começou a ganhar forma e a parecer-se com a ideia final que vivia no meu imaginário:
Tentei adicionar alguns pormenores que achei bonitos, como pára lamas, guiadores antigos, selins largos, pneus gordos, porta couves, campainha cromada...
Até que no fim de semana passado ficou completa:
Estava pronta para o primeiro Test Drive:
Era ainda mais divertida do que eu imaginara. Claro que ainda vai precisar de algumas afinações e ajustes para se adequar à utilização que lhe quero dar, mas no geral aprovou. Acho que foi, logo depois da Heinkel, o projecto que mais gozo me deu. Gosto do look antigo combinado com componentes mais modernos e eficientes, gosto do comportamento a andar e cumpriu o meu objectivo que era o passeio a dois. Curiosamente no dia do Test Drive serviu mais do que dois. Muita gente, entre amigos e vizinhos, quis experimentar aquela Old-School "semi-pasteleira" XXL.
Estou contente. Venha o próximo projecto.
Os meus agradecimentos ao Bob, SergioSousa, Miguel Barbot, Motocentral e outros que com as suas dicas e ideias foram-me ajudando a construir esta Tandem Bike. Se me esqueci de referir alguém, tenham a certeza que não me esqueci de que me ajudaram.
Obrigado