Número total de visualizações de página

25 de outubro de 2018

S. Jacinto da Série O meu Quintal

Como nestes dias de Outono tanto a chuva como o sol chegam de surpresa, a decisão de passear de moto é feita em poucos minutos e com o mínimo de logística. A mão cheia de amigos que acompanha o que para aqui escrevinho, já se terá com certeza apercebido da minha recente preferência pela moto "grande" em vez das scooters. Tal explica-se com facilidade. Estas minhas vadiagens pelo quintal são para serem feitas num dia apenas e a Honda amplia generosamente o raio de acção.


Em criança acampava com os meus pais na Torreira e foi até naquele parque que aprendi a equilibrar-me em duas rodas...  na altura ainda sem motor.
Anos mais tarde eu e a Graça passamos uns dias nuns Bungalows um pouco antes de S. Jacinto, atrás de um restaurante de estrada que todos conheciam como "O Francês", hoje desaparecido.
A ultima vez que me recordo de ter estado por aquelas paragens, foi em missão de ajuda à minha filha e amigas, que tinham ido lá acampar e manter a tenda em pé estava a ser um desafio.

Claro que o fato de chuva já anda na mala, mas o dia mostrava-se solarengo. A desculpa esfarrapada foi que me apetecia andar de Ferry Boat! Ou ia para norte... ou para sul. Escolhi percorrer com calma a N109 e a N327 mesmo até ao seu final.
O inicio da 327 não é especialmente interessante, com uma zona industrial feia e um Centro Comercial espetado no meio de um pinhal, perto de Ovar, mas quando a Ria de Aveiro começa a marcar presença à minha esquerda o caso muda de figura. O espelho de água já não tem a imponência de outrora, desde que o sargaço deixou de ser utilizado na agricultura, mas mesmo assim aquelas águas calmas imprimem um ambiente sereno ao local. A estrada foi recentemente melhorada oferecendo agora um tapete liso e seguro. Consegue-se assim fazer calmamente os cerca de 25 km's até ao seu limite, apreciando com calma as curvas generosas e as dunas da reserva natural  que se desenrola à nossa direita. Desde há muito um destino turístico, entre cortado por localidades dedicadas a um misto de agricultura e pesca, o local convida a paragens frequentes para fotografar ou sentir o silêncio do pinhal. A meio caminho, na Torreira, parei para apreciar os cais com embarcações de lazer atracadas ao lado de antigos moliceiros abandonados. Atravessando a localidade o imenso areal da praia convidava a um mergulho, não fosse a temperatura já baixa. Fui espreitar o parque de campismo e com pena verifiquei a total descaracterização e redução da área do mesmo, rodeado por edifícios recentes e ocupado principalmente por casas pré fabricadas.





Ao longo da estrada podem-se ver casas de férias mais ou menos originais, com destaque para uma que foi construída a partir do casco de uma embarcação.




Outro parque de campismo mais à frente, modernizado mais ainda com áreas de tendas e bungalows.


Encontro-me com um simpático casal alemão a viajar de bicicleta com os dois filhos (que diferença de culturas)



e um pouco depois com quatro magníficos MG's descapotáveis, que voltaria a encontrar à entrada do Ferry. Faziam parte de um grupo de 30 que estavam a viajar por Portugal e Espanha.







Esta ligação marítima faz parte da rede de transportes de Aveiro e é utilizada principalmente por locais e militares da Base Aérea de S. Jacinto, assegurando a ligação à zona da Barra a preços ainda não inflacionados pelo turismo.







Após uns 20 minutos de travessia entramos numa área portuária bastante activa e rapidamente estamos no centro de Aveiro. Aqui já se nota a azáfama dos passeios de barco pelos canais tão apreciados pelos turistas. Depois de uma refeição rápida regressei de novo pela N109 e a partir de Espinho sempre junto ao mar.

19 de outubro de 2018

Sabrosa da série O Meu Quintal



Há um grupo de colegas da CGD, não muito no activo, que unidos pelo gosto comum das Rodasgrandes se junta também ocasionalmente para dar uma voltita de um dia.
Escolhem sítios suficientemente perto para não ser necessária preparação e suficientemente longe para saber a passeio. Arranjam uma qualquer desculpa esfarrapada e está feito.
Como agora tenho a minha disponibilidade de tempo generosamente ampliada, chamaram-me. É o Grupo Motard CGD (confesso que continuo a não preferir a palavra Motard. Que mal teria Motociclista?), do qual faço parte já há algum tempo, mas com quem tenho sido muito pouco assíduo.
Desta vez alguém se lembrou que precisava de azeite e que um deles produzia azeite!
Como saberão alguns, andar em auto estrada de moto para ir seja onde for, não costuma ser a a minha primeira escolha, mas mesmo assim resolvi alinhar. Em boa hora o fiz. O alcatrão acabou por ser apenas uma forma de ampliar o raio de acção da passeata e em menos de um ápice a minha veterana Honda Transalp chegava a Sabrosa elegantemente (e um pouco ofegante) acompanhada de máquinas super modernas, alguma vindas de Leiria e Ponde de Sôr. Já não lá ia desde Junho de 2015 por ocasião do 17º Lés a Lés, em que fui a equipa 1 com a minha Heinkel. À nossa espera estava mais do que eu imaginava. A uma visita à Adega Cooperativa de Sabrosa, com respectiva prova de um néctar de incomparável qualidade, seguiu-se uma sessão de aperitivos com o azeite como base e uma magnifica posta num daqueles restaurantes que só os locais conhecem.
Refeição terminada e o nosso cicerone desafiou-nos a fazer uns Km´s por estradas mais que secundárias, levando-nos a locais com paisagens de cortar a respiração, embalados por curvas sem fim. Assim, sim. Afinal valeu a pena. Este tipo de passeio é exactamente o que eu gosto e o que mais poderia eu pedir do que ter cada curva aberta por quem tão bem as conhece?
De volta ao Lagar da Sancha fizemos as compras que serviram de desculpa para o passeio e depressa estávamos de novo no Porto, com 270Km de tempo bem perdido.
Um muito obrigado ao Morgado pela disponibilidade, simpatia e pelas curvas que me ofereceu, quando me abriu caminho numas das estradas mais divertidas que me recordo, como que a estender com a sua novíssima Africa-Twin, o tapete vermelho à minha Transalp.













10 de outubro de 2018

Serra da Freita da série O Meu Quintal

Passear é preciso.
Conhecer locais diferentes, distantes, exóticos é formidável. Mas porque não conhecer primeiro o nosso quintal? É que amiúde existem locais maravilhosos mesmo ao virar da esquina e o Norte do nosso país têm muitas dessas pérolas à nossa espera.
A Serra da Freita é um bom exemplo.


Apenas a umas dezenas de Km´s do Porto, pela maravilhosa EN 108 que acompanha o Rio Douro chegamos a Castelo de Paiva onde nos aguarda a EN224. Este troço de estrada é um paraíso para os motociclistas, com um bom piso que agrega em 20 Km´s mais de 300 curvas! Uma delicia!



Pouco depois começamos a subir até aos 1085m num percurso igualmente sinuoso. Começa-se a ouvir o silêncio e fecha-se o casaco melhor. A paisagem é deslumbrante e num dia claro "you can see forever". Absorvo o local enquanto me passeio pela pequena aldeia do Merujal.







Munido do meu "kit do passeante" uso um local de merendas para aquecer o almoço. O silêncio vicia.




Continuo mais um pouco até à conhecida Frecha da Mijarela, mesmo ali ao lado. O vale impressiona. Começo a descer a minúscula estrada. Desisto a meio e volto a subir. É demasiado isolada para se fazer sozinho e com o telemóvel sem sinal. Fica para a próxima









 Hora de regressar, por uma via mais rápida apesar de menos interessante, mas que me permitiu aproveitar o tempo até à ultima.





19 de agosto de 2018

L.I.C.E.T. por Uz e Moscoso da série O Meu Quintal

Depois de um interregno usado para ajustes vários na vida de cada um, os 3 membros fundadores do famoso LICET juntaram-se para uma passeata recheada de boa disposição, boas estradas, praia, serra e aldeias remotas. Nenhum foi de Lambretta!!
Em Janeiro de 2016 tinha ido na minha Vespa conhecer a aldeia de Uz. Prometi na altura voltar para conhecer um ou outro recanto mais daquelas serras.
Tinha comigo um track parcial daquele passeio, gravado com um relógio de corrida. Algumas horas em frente ao computador e completei um percurso que poderia ser interessante. O Sérgio o o Hugo concordaram.
Dez da manhã arrancavam do Porto uma Honda Transalp 600, uma Honda 450 Super Sport DOHC e uma Vespa Cosa 200. Começaríamos com uma ligação de uns 70 Km's em autoestrada até perto do Arco de Baúlhe, provavelmente maçadores... julgávamos nós!
Metade do troço feito e a Cosa espirra. Decidimos dar-lhe pouca atenção e continuar viagem. Zangada, resolve repetir o espirro, numa subida sem berma nem sombra, que é para aprendermos. Preparávamos-nos para lhe espreitar nas entranhas, quando o Hugo, qual Gentleman do cimo da sua distinta CB DOHC, constata o óbvio. E descermos para onde há berma?! Por vezes é preciso vir numa máquina com pedigree para demonstrar esta clareza de raciocínio... Ao fim e ao cabo foi aquele modelo que nos anos 60 destronou o reinado ocidental das motos inglesas, sendo mais rápida, mais eficiente, mais económica que as de terras de Sua Majestade. E não pingava óleo! Adicionalmente em 2011 fez o meu carro largar a água toda, mas isso é outra história.
O arquitecto lá espreita debaixo da saia da coisa, digo Cosa, encontrando rapidamente um filtro de ar entupido com esponja!!! Ao que parece, no pináculo da tecnologia Italiana, a Piaggio teve a ideia peregrina de incluir um pré-filtro de ar totalmente inacessível algures debaixo do depósito, em esponja! O tempo e o óleo encarregaram-se de o desfazer. Tão lentamente que durante o dia foi necessário levar a cabo amiúdes manobras de limpeza do mesmo. Lá seguimos sem mais espinhas até ao final da AE, onde começou verdadeiramente a diversão. N206 até um pouco depois de Esturrado e saída para a M518 sempre a subir e com curvas maravilhosas. Nestes lugares percebe-se como somos um país de contrastes. Saídos há poucos Km's do rebuliço do trânsito, damos por nós numa estrada mais que secundária, vazia, com um maravilhoso silêncio por companhia. O dia estava quente, mas começa a refrescar quando uma tabuleta anuncia os 1400m. A vegetação muda radicalmente. O alcatrão desaparece e reaparece. Em cada cruzamento que passamos seguimos pela opção mais estreita, inclinada e com pior piso. Percebemos que estamos num caminho usado por gado. Cuidado que aquilo escorrega! Após uma elevação aparece UZ, antes conhecida por Casal da Urzeira, devido à quantidade de urze que existe nos seus montes. É uma pequena aldeia típica de casas de pedra, onde ainda se podem ver construções cobertas com telhados de colmo. Deambulando pelas suas ruas estreitas, somos como que transportados para uma época remota. Contamos dez tractores e dois carros. De matricula estrangeira, não estivéssemos em Agosto. Seguimos caminho à procura do desvio que levaria ao Nariz do Mundo. Caminho de terra, não muito difícil e desembocamos num planalto com uma paisagem de cortar a respiração. Resolvemos almoçar por ali a refeição leve que levávamos, pois a ultima coisa que nos apetecia era enfiarmos-nos num qualquer restaurante cheio de gente. Pudemos assim desfrutar da paz que ali se vive, numa refrescante sombra. Regresso à estrada e mesmo à entrada de Moscoso a Transalp espirra levemente. Ignoro-a. Paramos no restaurante da terra para tomar café. Estava cheio e com um calor e barulho insuportável. Abençoamos a ideia do pique nique e quando já reabastecidos de cafeína, fomos abordados por um rapaz que nos pergunta se as Honda bonitas que estavam lá fora eram nossas. Confessou-se um apaixonado por motas a trabalhar no Mónaco enquanto nos mostrava fotos da sua Africa-Twin nova. Agradecemos e apressamos-nos a sair daquela confusão. Retomamos caminho após o meu aviso que dali para a frente, só conhecia o terreno pelo Google Maps. A possibilidade de encontrar caminhos manhosos era grande. Seguindo as indicações da rota traçada por mim, serpenteamos por serras e vales, em estradas cada vez mais remotas, até nos surgir do meio do nada uma fantástica praia fluvial, de nome Área de Lazer do Oural. Estacionando mesmo na praia, quase deserta, apressamos-nos a desfrutar de um vigorante banho. Apetecia ficar lá o resto do dia. A tempo voltamos ao caminho. O próximo check-point era Fafe. Como não havia muito por onde enganar não prestei grande atenção ao OruxMaps deixando-me embalar pelas curvas. Sem aviso a Transalp espirra, tosse e engasga-se. Paro numa sombra e reparo no sorriso pouco inocente dos meus companheiros de estrada. Então onde anda a mesquinha fiabilidade das Honda? Não lhes dou grande conversa e trato de resolver a avaria que adivinhava. Um dos CDI andava a falhar há uns tempos. Percebi que tinha sido de vez, mas estava preparado com um de substituição. Problema resolvido e pouco depois surge Fafe para novo troço de ligação a casa. As auto estradas nunca têm grande piada, mas fica a nota de que a Vespa Cosa conseguiu manter uma velocidade de cruzeiro surpreendentemente boa.
Fica a ideia de repetir passeios deste estilo, com a regularidade possível, pensados por cada um dos elementos do Lambretta Invicta Clube Extreme Team. Mesmo sem Lambrettas.
Obrigado Hugo e Sérgio.