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19 de maio de 2019

Handa Nagazoza ameaça regressar à estrada

Na continuação do relatado aqui, coloquei mãos à obra e comecei a pesquisar a fundo por um pistão ligeiramente mais largo que me permitisse reutilizar o cilindro. Inicialmente tinha sido pensada uma substituição integral da camisa do grupo térmico, mas quando nos recordamos das horas gastas de lima das unhas na mão, a desenhar e amaciar as generosas janelas do cilindro, reavaliamos as nossas prioridades. No entanto o oversize do pistão que nos poderia permitir usar o cilindro do motor, teria de ser metade do habitual, de forma a não reduzir perigosamente a espessura da bridge da janela de escape. Após algum tempo encontro um fornecedor Italiano com a solução. Telefono-lhe. Confirma que o tem, mas como a marca em questão tem um representante em Portugal, a importação teria de ser feita por ele. Indica-me o contacto e diz-me que vai já colocar um de lado. Um mail para a empresa de cá e 48h depois o pistão está na oficina. O mercado europeu também tem vantagens.
Assim o conjunto rapidamente segue para o retificador, de onde volta com as tolerâncias exatas. A Motocentral tem excelentes contactos.


Está na hora de instalar o grupo térmico no motor, colocar uma nova embraiagem e devolver o motor ao quadro.





Depois de substituir tudo o que é cabos de aço e alguma fiarada eléctrica, o próximo passo será escolher o carburador e reanimar o coração laranja da Handa Nagazoza.
Stay tuned.








29 de abril de 2019

N15 e N108 da Série O meu Quintal

Saio do Porto logo de manhã e sem destino, apenas a precisar de ar, dando por mim na N15. Estrada desinteressante ao inicio, mas que à medida que se afasta da grande cidade assume contornos de ruralidade bem mais agradáveis. O Vale Longo marca o ponto em que começa a ser giro olhar à volta. Há anos atrás, por motivos profissionais, fazia esta estrada diariamente. Nota-se uma melhoria considerável no piso e o aparecimento de várias rotundas, o que de mota nem é assim tão aborrecido. À entrada de Penafiel viro para Rans, não à procura do "Tino" mas sim a responder ao chamamento do Rio Douro, a pouco mais de uma dezena de Km´s dali. O caminho até lá presenteia-me com uma sucessão de curvas deliciosas, como a preparar a entrada na N108.
Desemboco perto do local de má memória, onde antes de 2001 se erguia a Ponte de Hintze Ribeiro. Agora olha-nos do lado sul o Anjo de Portugal.


Sempre junto ao rio, numa estrada com bom piso, brinca-se com a caixa de velocidades e com a inclinação da mota. Inevitavelmente em Lomba desliga-se o motor, aprecia-se o silêncio e delicia-se o olhar.

Ao aproximar-me da Barragem de Crestuma-Lever recordei-me dos bons momentos aquáticos que aqui passei e fui visitar a Marina.


Não muito diferente do que me lembrava, desapareceu a rampa onde costumávamos descer os barcos, mas nasceram outras duas com muito melhores condições, embora agora com acesso condicionado, provavelmente a algum clube mais ou menos elitista, a julgar pelo porte das embarcações que agora usam aquele local.


Além de um bar com esplanada há também espaços bem organizados para estacionar e ao percorre-los vislumbro por entre algum mato, o inédito de dois barcos, uma mota de água, uma carrinha e um jipe semi escondidos pela vegetação e em estado de sucata.






Regressa-se a casa por dez Km's de curvas, já com ar e apetite para o almoço.

15 de abril de 2019

A irreverência da adolescência

Não há como escapar. O crescimento, principalmente na fase da adolescência, vem sempre acompanhado de mais ou menos dores, atropelos, asneiras e atrevimentos.
É o sentir todo o sistema afinado e a trabalhar em conjunto, é a comparação com os outros, de preferência com vantagem, é até o desafio dos limites pessoais porque sim.
Não sendo isto um mal em si, é um processo que convém ser acompanhar, monitorizar, ajudar e orientar.
É de uma realização pessoal inigualável quebrar barreiras e exceder limites.
E na verdade é também assim que se conhece e dá a conhecer capacidades e limitações. Percebe-se o que há a melhorar e aceita-se o que vai ficar assim.
Mas este processo por vezes traz estragos, sendo de uma importância fulcral medi-los e minimiza-los. Tentar tirar do horizonte de excessos o que possa trazer danos irreversíveis e simultaneamente aproveitar os momentos de experiência com os riscos controlados.

Foi o que aconteceu com a "Handa Nagazoza"! Depois de muitas estradas percorridas a tentar perceber as potencialidades do motor tão cuidadosamente preparado pela Motocentral no inicio de 2014, surgiu o momento em que a perda do óleo especialmente concebido para as rotações que ele agora atinge, na sequência de um percurso mais duro fora de estrada, não restou alternativa senão usar um óleo normal para continuar a saga do Lés a Lés com que se estava a desafiar. Esta situação obrigaria, até se conseguir adquirir um lubrificante à altura, a um andamento mais moderado. A chatice é que o prazer de viajar com amigos em máquinas igualmente rápidas, leva a que se venha a esquecer, com alguma facilidade, esta limitação temporária e, Km após Km, se aperte um pouco mais com o acelerador. Até que, mesmo no centro geodésico de Portugal, ele disse chega! A velocidade excessiva, o calor do dia e uma subida acentuada, uniram-se para fazer o motor desta vigorosa Lambretta gripar! Felizmente sem consequências físicas para o piloto, o bloqueio da roda traseira ameaçava o final da aventura mesmo ali, a mais de um dia do seu término.
Não era só por mim que a situação previa uma desilusão com o fim precoce da aventura. É que tal como os Mosqueteiros, um por todos e...., este acontecimento poderia ditar o fim do divertimento de quatro amigos. Não podia ser. Pelo menos sem antes tentar tudo.
Saco de ferramentas para fora e começa-se a desmontar o grupo térmico. Depressa começamos a perceber que apesar de bloqueado, o motor não parecia ter quebras nos componentes. Uma pequena luz no horizonte. Com os conhecimentos conjugados de mim, do Miguel e do Paulo na criação de uma inteligência comum supervisionada pelo olhar atento da câmara fotográfica do Vasco, ponto a ponto fomos analisando os danos e tentando libertar o motor. Até que conseguimos. Graças à qualidade dos materiais usados na transformação que apesar da dilatação excessiva não partiram, o motor soltou. Faltava conseguir que trabalhasse. Após um acontecimento destes, a compressão no cilindro fica seriamente afetada e como todo o conjunto está afinado para um certo nível de performance, coloca-lo de novo a trabalhar não se afigura nunca uma tarefa rápida. Mas na verdade passa apenas por empurrar! Vigorosamente, é verdade, mas é apenas empurrar. Éramos quatro e a estrada subia... e portanto descia também. Iniciamos a saga de forçar o motor a rodar, à maior velocidade possível e durante bastante tempo. Já todos com as pernas esgotadas e com o final da descida a aproximar-se rapidamente, começávamos a considerar desistir. Até que o motor dá o primeiro sinal. Débil, quase inaudível, mas deu um sinal. Gritei para o resto dos "empurradores" que não desistissem agora, reparando nessa altura que dois jaziam já exaustos na berma. Restavam eu e o Miguel. O Miguel é um lingrinhas, mas com uma capacidade muscular equivalente a um rebocador industrial. Mais uns metros (que pareceram quilômetros) e o motor começa a funcionar!
Êxtase coletivo. Enquanto um mantinha o motor acelerado os outros recuperavam o folego e iam corrigindo as afinações para o novo estado do motor.
Sucesso. Uns 60 minutos depois da paragem forçada, estávamos já de novo a curvar como se não houvesse amanhã e apesar da perda de alguma potencia, a Lambretta completou com sucesso a viagem, retornando a casa sempre a trabalhar.
Depois de uns largos meses (mais de um ano... ou dois) de repouso, voltou agora à Motocentral para avaliar os danos e tratar da reparação. Já se percebeu que o cilindro é recuperável, o pistão não. Aguarda-me agora a tarefa de conseguir encontrar novo pistão com as características corretas, o que num motor com uma preparação não de série nunca é fácil. Já agora olhamos de lado para o carburador e percebemos que era engraçado colocar um maior!

Veremos.



12 de fevereiro de 2019

GMCGD pela Tocha

A N109 é um caminho familiar aos scooteristas nortenhos ao rumarem a encontros com os amigos mais a sul. Estrada muito mais calma que a N1, serpenteia por localidades mais ou menos costeiras, levando-nos por ritmos urbanos com aroma a mar e serra.
Desta vez e de novo com o Grupo Motard CGD, fui na mota "grande"recordar Aveiro, Mira ou Ílhavo rumo à Tocha. Acompanhado por dois amigos e ao encontro de outro que de terras de Leiria se juntou a nós para um repasto no Cova do Finfas.
Num excelente ritmo sossegado fomos escolhendo sempre os rumos mais calmos e após a merenda aproveitamos o sol para um passeio a pé pela praia.
No regresso tomamos a estrada que cruza o Pinhal de Leiria, que apesar dos extensos estragos provocados pelos incêndios recentes, é ainda assim um caminho a fazer.
Serviu o dia para nos recordar do privilégio que é morar num país com um clima ameno e de ter amigos para nos acompanhar nestes devaneios.



Foto de David Cabecinhas

Foto de Rogério Magalhães

Foto de Rogério Magalhães





Foto de David Cabecinhas

Foto de Eduardo Mendonça

Foto de Eduardo Mendonça

Foto de Eduardo Mendonça


Foto de David Cabecinhas




18 de janeiro de 2019

Com o GMCGD por Aveiro

Passar a ter mais tempo livre vem com um preço. A necessidade de o ocupar!
A quem sobrevive a semanas de trabalho durante anos a fio, esta pode parecer uma afirmação óbvia e evidente. E desde que seja preenchida é até um prazer.
Com algum tempo de avanço em relação a mim, tenho por amigos um grupo de semi-desocupados que embirram em ser felizes a fazer o que gostam. Quis a sorte que tivéssemos em comum alguns desses gostos.
O Grupo Motard (se bem que eu preferia Motociclista) CGD é uma espécie de agrupamento de colegas que fomenta e apoia o lazer em duas rodas. Sou já membro há muitos anos, mas só ultimamente comecei a conhece-los melhor. Alguns deles partilham comigo uma quantidade generosa de tempo livre. Fui para a estrada com esses. Gostam de comer bem, reúnem-se misteriosamente em lugares discretos, usam motas grandes, modernas e novas. Foi bom estar na companhia deles, rever pessoas e lugares e admirar a dedicação que entregam ao GMCGD, bem patente na paixão com que lasca após lasca foram deglutindo o bacalhau. Aqui mesmo ao lado, em Aveiro. Quase nenhumas fotos.
Obrigado pela companhia.







25 de outubro de 2018

S. Jacinto da Série O meu Quintal

Como nestes dias de Outono tanto a chuva como o sol chegam de surpresa, a decisão de passear de moto é feita em poucos minutos e com o mínimo de logística. A mão cheia de amigos que acompanha o que para aqui escrevinho, já se terá com certeza apercebido da minha recente preferência pela moto "grande" em vez das scooters. Tal explica-se com facilidade. Estas minhas vadiagens pelo quintal são para serem feitas num dia apenas e a Honda amplia generosamente o raio de acção.


Em criança acampava com os meus pais na Torreira e foi até naquele parque que aprendi a equilibrar-me em duas rodas...  na altura ainda sem motor.
Anos mais tarde eu e a Graça passamos uns dias nuns Bungalows um pouco antes de S. Jacinto, atrás de um restaurante de estrada que todos conheciam como "O Francês", hoje desaparecido.
A ultima vez que me recordo de ter estado por aquelas paragens, foi em missão de ajuda à minha filha e amigas, que tinham ido lá acampar e manter a tenda em pé estava a ser um desafio.

Claro que o fato de chuva já anda na mala, mas o dia mostrava-se solarengo. A desculpa esfarrapada foi que me apetecia andar de Ferry Boat! Ou ia para norte... ou para sul. Escolhi percorrer com calma a N109 e a N327 mesmo até ao seu final.
O inicio da 327 não é especialmente interessante, com uma zona industrial feia e um Centro Comercial espetado no meio de um pinhal, perto de Ovar, mas quando a Ria de Aveiro começa a marcar presença à minha esquerda o caso muda de figura. O espelho de água já não tem a imponência de outrora, desde que o sargaço deixou de ser utilizado na agricultura, mas mesmo assim aquelas águas calmas imprimem um ambiente sereno ao local. A estrada foi recentemente melhorada oferecendo agora um tapete liso e seguro. Consegue-se assim fazer calmamente os cerca de 25 km's até ao seu limite, apreciando com calma as curvas generosas e as dunas da reserva natural  que se desenrola à nossa direita. Desde há muito um destino turístico, entre cortado por localidades dedicadas a um misto de agricultura e pesca, o local convida a paragens frequentes para fotografar ou sentir o silêncio do pinhal. A meio caminho, na Torreira, parei para apreciar os cais com embarcações de lazer atracadas ao lado de antigos moliceiros abandonados. Atravessando a localidade o imenso areal da praia convidava a um mergulho, não fosse a temperatura já baixa. Fui espreitar o parque de campismo e com pena verifiquei a total descaracterização e redução da área do mesmo, rodeado por edifícios recentes e ocupado principalmente por casas pré fabricadas.





Ao longo da estrada podem-se ver casas de férias mais ou menos originais, com destaque para uma que foi construída a partir do casco de uma embarcação.




Outro parque de campismo mais à frente, modernizado mais ainda com áreas de tendas e bungalows.


Encontro-me com um simpático casal alemão a viajar de bicicleta com os dois filhos (que diferença de culturas)



e um pouco depois com quatro magníficos MG's descapotáveis, que voltaria a encontrar à entrada do Ferry. Faziam parte de um grupo de 30 que estavam a viajar por Portugal e Espanha.







Esta ligação marítima faz parte da rede de transportes de Aveiro e é utilizada principalmente por locais e militares da Base Aérea de S. Jacinto, assegurando a ligação à zona da Barra a preços ainda não inflacionados pelo turismo.







Após uns 20 minutos de travessia entramos numa área portuária bastante activa e rapidamente estamos no centro de Aveiro. Aqui já se nota a azáfama dos passeios de barco pelos canais tão apreciados pelos turistas. Depois de uma refeição rápida regressei de novo pela N109 e a partir de Espinho sempre junto ao mar.