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24 de maio de 2019

Não, não a podes levar

Por mail o Ribeiro anuncia-me que a Handa Nagazoza está pronta. Só faltam umas afinações e arrumar a fiarada.
Obviamente no dia seguinte estava lá eu às primeiras horas da manhã.
Já que aqui estás... o computador isto e aquilo... e noticias da Lambretta nada.
Decido eu perguntar. Sim, só falta arrumar a fiarada no cabeçote e umas afinações, mas olha lá, queres leva-la já hoje?
Arrumar a fiarada e afinar umas coisas é coisa para na Motocentral fazerem em minutos!
Lá me explica. Ela está a andar que se desunha, já ando com ela há dois depósitos e como já sei que tu gostas de ver até onde ela aguenta, desta vez faço eu a rodagem!
E mais nada!
Pode haver coisa melhor que um mecânico que se preocupa connosco?
Obrigado Ribeiro.







Posso então ao menos dar uma voltinha? Devagar?





Serra da Freita com uma 500X

Tenho um vizinho com bom gosto. Já andou por aí de Vespa, tinha ainda há pouco uma deslumbrante Suzuky 380GT e recentemente adquiriu uma Honda, no seu modelo 500X.
Um dia cruzo-me com ele e anuncia-me a aquisição da Honda. Após uns minutos de conversa julguei perceber que a mota nova estaria destinada a fazer uma rodagem casa-trabalho.
Oferece-me uma voltinha na mota nova, o que recuso, pois quem me conhece sabe que detesto correr o risco de estragar os brinquedos novos de outros, mas surge-me uma ideia. Convido-o para ser o seu guia num passeio de 200/300 Km num dia por estradas bonitas. Aceita.

A Serra da Freita é uma das zonas aqui por perto que me agrada. Saindo da cidade já em curva e contra-curva pela sinuosa N108, atravessando o Rio Douro só em Entre-os-Rios em direção a Castelo de Paiva, onde iria acabar o aquecimento, pois seguia-se a N224 que percorremos em ritmo motociclístico até Arouca. Decidimos almoçar lá. Seria muito má ideia fazê-lo antes das 365 curvas em cerca de 20Km que acabávamos de percorrer. Há relatos de quem teve de parar a meio para tomar um Enjomin. Estrada terrível de carro, das melhores que conheço aqui por perto para fazer de mota.
Retemperados por uma magnifica posta, rapidamente retornamos à estrada. Já só nos apetecia rolar. A 500X comportava-se maravilhosamente, a Transalp continuava em casa, não obstante uma indecisão num cruzamento, em que parada, resolveu deitar-se à espera da minha decisão. Tive de me aborrecer e obriga-la a levantar-se.
Começamos a subida da serra com a primeira paragem na Senhora da Laje, pequena igreja da povoação de Merujal, onde se preparava um cortejo. Não ficamos para assistir, mas aproveitamos para respirar a paz do local.





Daqui seguimos para a Frecha da Mijarela, bonita queda de água que nascendo numa encosta, mantém a sua largura reduzida até à base. Existe uma pequena estrada que desce ao vale onde desagua, mas além de extremamente inclinada e sem saída, não termina na base da queda. Assim tiramos a foto da praxe e voltamos às curvas.






Tinha como ideia inicial seguir agora o sentido inverso até ao Porto, mas já há algum tempo que andava com curiosidade de conhecer a estrada do Portal do Inferno, para os lados da Serra da Arada. Ainda era cedo e o Nuno concordou!
Dei uma olhadela para o Oruxmaps a funcionar com uns mapas topográficos e lá me orientei.
Apesar de bem mais longe do que inicialmente me pareceu, chegar àquela estrada foi tão bom como percorre-la. Começamos a penetrar em terras de xisto e lousa com subidas impossíveis a alternar com descidas assustadoras, estradas onde mal caberia uma mota com malas laterais, curvas de cento e oitenta graus para todos os gostos e ribanceiras a pique de ambos os lados, numa paisagem de serra absoluta e silêncio só quebrado por nós. Estamos cada vez mais alto e o cenário deve mexer com quem tenha uma pontinha de acrofobia: imponente, bruto e, lá muito em baixo, vazio.



Paramos junto à placa que identifica o local. Passagem íngreme, no qual só cabe um carro de cada vez e que, desde sempre, amedronta quem aqui passa, dizem. Estamos a 900 metros de altitude e à nossa volta só temos o vazio e ao longe e para todos os lados, serra. Ficamos uns minutos a absorver a paz reinante.
Ao olhar para os pneus percebemos que devemos ter feito alguns daqueles ganchos um bocado no limite. Estávamos satisfeitos. De barriga cheia de tanto curvar.







Decidimos voltar a casa e foi quando percebemos o quanto distante estávamos. Estes últimos Km's tinham obrigado a uma concentração tal que perdemos de facto noção deles.
Assim continuamos a estrada até S. Pedro do Sul, agora quase sempre a descer e com um dos coloridos mais bonitos que já vi numa serra. Urze e Tojo pintam os lugares de amarelo e lilás.
Lá chegados fizemos uma pausa para hidratação e rumamos em direção à costa, até à N1 e de regresso a casa, após 260Kms bem divertidos.




19 de maio de 2019

Handa Nagazoza ameaça regressar à estrada

Na continuação do relatado aqui, coloquei mãos à obra e comecei a pesquisar a fundo por um pistão ligeiramente mais largo que me permitisse reutilizar o cilindro. Inicialmente tinha sido pensada uma substituição integral da camisa do grupo térmico, mas quando nos recordamos das horas gastas de lima das unhas na mão, a desenhar e amaciar as generosas janelas do cilindro, reavaliamos as nossas prioridades. No entanto o oversize do pistão que nos poderia permitir usar o cilindro do motor, teria de ser metade do habitual, de forma a não reduzir perigosamente a espessura da bridge da janela de escape. Após algum tempo encontro um fornecedor Italiano com a solução. Telefono-lhe. Confirma que o tem, mas como a marca em questão tem um representante em Portugal, a importação teria de ser feita por ele. Indica-me o contacto e diz-me que vai já colocar um de lado. Um mail para a empresa de cá e 48h depois o pistão está na oficina. O mercado europeu também tem vantagens.
Assim o conjunto rapidamente segue para o retificador, de onde volta com as tolerâncias exatas. A Motocentral tem excelentes contactos.


Está na hora de instalar o grupo térmico no motor, colocar uma nova embraiagem e devolver o motor ao quadro.





Depois de substituir tudo o que é cabos de aço e alguma fiarada eléctrica, o próximo passo será escolher o carburador e reanimar o coração laranja da Handa Nagazoza.
Stay tuned.








29 de abril de 2019

N15 e N108 da Série O meu Quintal

Saio do Porto logo de manhã e sem destino, apenas a precisar de ar, dando por mim na N15. Estrada desinteressante ao inicio, mas que à medida que se afasta da grande cidade assume contornos de ruralidade bem mais agradáveis. O Vale Longo marca o ponto em que começa a ser giro olhar à volta. Há anos atrás, por motivos profissionais, fazia esta estrada diariamente. Nota-se uma melhoria considerável no piso e o aparecimento de várias rotundas, o que de mota nem é assim tão aborrecido. À entrada de Penafiel viro para Rans, não à procura do "Tino" mas sim a responder ao chamamento do Rio Douro, a pouco mais de uma dezena de Km´s dali. O caminho até lá presenteia-me com uma sucessão de curvas deliciosas, como a preparar a entrada na N108.
Desemboco perto do local de má memória, onde antes de 2001 se erguia a Ponte de Hintze Ribeiro. Agora olha-nos do lado sul o Anjo de Portugal.


Sempre junto ao rio, numa estrada com bom piso, brinca-se com a caixa de velocidades e com a inclinação da mota. Inevitavelmente em Lomba desliga-se o motor, aprecia-se o silêncio e delicia-se o olhar.

Ao aproximar-me da Barragem de Crestuma-Lever recordei-me dos bons momentos aquáticos que aqui passei e fui visitar a Marina.


Não muito diferente do que me lembrava, desapareceu a rampa onde costumávamos descer os barcos, mas nasceram outras duas com muito melhores condições, embora agora com acesso condicionado, provavelmente a algum clube mais ou menos elitista, a julgar pelo porte das embarcações que agora usam aquele local.


Além de um bar com esplanada há também espaços bem organizados para estacionar e ao percorre-los vislumbro por entre algum mato, o inédito de dois barcos, uma mota de água, uma carrinha e um jipe semi escondidos pela vegetação e em estado de sucata.






Regressa-se a casa por dez Km's de curvas, já com ar e apetite para o almoço.

15 de abril de 2019

A irreverência da adolescência

Não há como escapar. O crescimento, principalmente na fase da adolescência, vem sempre acompanhado de mais ou menos dores, atropelos, asneiras e atrevimentos.
É o sentir todo o sistema afinado e a trabalhar em conjunto, é a comparação com os outros, de preferência com vantagem, é até o desafio dos limites pessoais porque sim.
Não sendo isto um mal em si, é um processo que convém ser acompanhar, monitorizar, ajudar e orientar.
É de uma realização pessoal inigualável quebrar barreiras e exceder limites.
E na verdade é também assim que se conhece e dá a conhecer capacidades e limitações. Percebe-se o que há a melhorar e aceita-se o que vai ficar assim.
Mas este processo por vezes traz estragos, sendo de uma importância fulcral medi-los e minimiza-los. Tentar tirar do horizonte de excessos o que possa trazer danos irreversíveis e simultaneamente aproveitar os momentos de experiência com os riscos controlados.

Foi o que aconteceu com a "Handa Nagazoza"! Depois de muitas estradas percorridas a tentar perceber as potencialidades do motor tão cuidadosamente preparado pela Motocentral no inicio de 2014, surgiu o momento em que a perda do óleo especialmente concebido para as rotações que ele agora atinge, na sequência de um percurso mais duro fora de estrada, não restou alternativa senão usar um óleo normal para continuar a saga do Lés a Lés com que se estava a desafiar. Esta situação obrigaria, até se conseguir adquirir um lubrificante à altura, a um andamento mais moderado. A chatice é que o prazer de viajar com amigos em máquinas igualmente rápidas, leva a que se venha a esquecer, com alguma facilidade, esta limitação temporária e, Km após Km, se aperte um pouco mais com o acelerador. Até que, mesmo no centro geodésico de Portugal, ele disse chega! A velocidade excessiva, o calor do dia e uma subida acentuada, uniram-se para fazer o motor desta vigorosa Lambretta gripar! Felizmente sem consequências físicas para o piloto, o bloqueio da roda traseira ameaçava o final da aventura mesmo ali, a mais de um dia do seu término.
Não era só por mim que a situação previa uma desilusão com o fim precoce da aventura. É que tal como os Mosqueteiros, um por todos e...., este acontecimento poderia ditar o fim do divertimento de quatro amigos. Não podia ser. Pelo menos sem antes tentar tudo.
Saco de ferramentas para fora e começa-se a desmontar o grupo térmico. Depressa começamos a perceber que apesar de bloqueado, o motor não parecia ter quebras nos componentes. Uma pequena luz no horizonte. Com os conhecimentos conjugados de mim, do Miguel e do Paulo na criação de uma inteligência comum supervisionada pelo olhar atento da câmara fotográfica do Vasco, ponto a ponto fomos analisando os danos e tentando libertar o motor. Até que conseguimos. Graças à qualidade dos materiais usados na transformação que apesar da dilatação excessiva não partiram, o motor soltou. Faltava conseguir que trabalhasse. Após um acontecimento destes, a compressão no cilindro fica seriamente afetada e como todo o conjunto está afinado para um certo nível de performance, coloca-lo de novo a trabalhar não se afigura nunca uma tarefa rápida. Mas na verdade passa apenas por empurrar! Vigorosamente, é verdade, mas é apenas empurrar. Éramos quatro e a estrada subia... e portanto descia também. Iniciamos a saga de forçar o motor a rodar, à maior velocidade possível e durante bastante tempo. Já todos com as pernas esgotadas e com o final da descida a aproximar-se rapidamente, começávamos a considerar desistir. Até que o motor dá o primeiro sinal. Débil, quase inaudível, mas deu um sinal. Gritei para o resto dos "empurradores" que não desistissem agora, reparando nessa altura que dois jaziam já exaustos na berma. Restavam eu e o Miguel. O Miguel é um lingrinhas, mas com uma capacidade muscular equivalente a um rebocador industrial. Mais uns metros (que pareceram quilômetros) e o motor começa a funcionar!
Êxtase coletivo. Enquanto um mantinha o motor acelerado os outros recuperavam o folego e iam corrigindo as afinações para o novo estado do motor.
Sucesso. Uns 60 minutos depois da paragem forçada, estávamos já de novo a curvar como se não houvesse amanhã e apesar da perda de alguma potencia, a Lambretta completou com sucesso a viagem, retornando a casa sempre a trabalhar.
Depois de uns largos meses (mais de um ano... ou dois) de repouso, voltou agora à Motocentral para avaliar os danos e tratar da reparação. Já se percebeu que o cilindro é recuperável, o pistão não. Aguarda-me agora a tarefa de conseguir encontrar novo pistão com as características corretas, o que num motor com uma preparação não de série nunca é fácil. Já agora olhamos de lado para o carburador e percebemos que era engraçado colocar um maior!

Veremos.



12 de fevereiro de 2019

GMCGD pela Tocha

A N109 é um caminho familiar aos scooteristas nortenhos ao rumarem a encontros com os amigos mais a sul. Estrada muito mais calma que a N1, serpenteia por localidades mais ou menos costeiras, levando-nos por ritmos urbanos com aroma a mar e serra.
Desta vez e de novo com o Grupo Motard CGD, fui na mota "grande"recordar Aveiro, Mira ou Ílhavo rumo à Tocha. Acompanhado por dois amigos e ao encontro de outro que de terras de Leiria se juntou a nós para um repasto no Cova do Finfas.
Num excelente ritmo sossegado fomos escolhendo sempre os rumos mais calmos e após a merenda aproveitamos o sol para um passeio a pé pela praia.
No regresso tomamos a estrada que cruza o Pinhal de Leiria, que apesar dos extensos estragos provocados pelos incêndios recentes, é ainda assim um caminho a fazer.
Serviu o dia para nos recordar do privilégio que é morar num país com um clima ameno e de ter amigos para nos acompanhar nestes devaneios.



Foto de David Cabecinhas

Foto de Rogério Magalhães

Foto de Rogério Magalhães





Foto de David Cabecinhas

Foto de Eduardo Mendonça

Foto de Eduardo Mendonça

Foto de Eduardo Mendonça


Foto de David Cabecinhas