Chuva no inicio de Agosto não é ainda comum, mas a Festa da Moto no Porto já começa a ser.
Na sua quarta edição, foi desta vez o Edifício da Alfandega que a acolheu.
A nós e à chuva, muita.
Tanta que forçou ao adiamento do passeio das 125 para Domingo, juntando-se ao passeio para as motas "maiores".
Muitas Honda em exposição, Café-Racers quase feitas à mão e vários comerciantes de motos e acessórios.
Pela primeira vez estive em serviço, voluntário, maneira que encontrei de modestamente retribuir o trabalho que os sócios do Moto Clube do Porto todos os anos têm com o Lés a Lés, prova que é o meu passeio anual mais esperado.
Relatos e comentários sobre o prazer e o desafio de viajar com rodas pouco maiores que os buracos na estrada. rui.faria.tavares@gmail.com
11 de agosto de 2014
5 de agosto de 2014
122
A Lambretta voltou da Motocentral já na sexta passada, mas apenas a usei para ir à Festa da Moto.
Hoje arranjei uns minutos ao fim da tarde para experimentar a nova caixa de velocidades. Já a tinha notado mais alegre a subir de rotação, mas agora precisava saber como ela se portava em velocidades maiores. Entro na V.C.I. e começo a perceber que tinha de ter atenção para respeitar o limite de velocidade, Ponte do Freixo com a sua pequena subida e ela nem ameaça querer descer dos 90. Depois da ponte subi para os 95/100 e fiquei por aí. Logo após a saída para a A29 a estrada sobe um bocado. Entrei a 97 e cheguei ao cimo a 94. Parecia bem. Muito bem até.
Daí até à saída para Grijó são 4/5 faixas em plano e até ligeiramente a descer em alguns pontos. Estava sem trânsito. Passei para a faixa mais à direita (fica mais perto da berma :) ) e acelerei. 98...102...105...110...122!! Mantive-a aí por uns dois minutos e depois baixei para os 90 que isto de rodas pequenas e esta velocidade pode não ser boa ideia. O meu ritmo cardíaco demorou mais a descer.
Regressei nas calmas com um sorriso estupido colado nos lábios.
Hoje arranjei uns minutos ao fim da tarde para experimentar a nova caixa de velocidades. Já a tinha notado mais alegre a subir de rotação, mas agora precisava saber como ela se portava em velocidades maiores. Entro na V.C.I. e começo a perceber que tinha de ter atenção para respeitar o limite de velocidade, Ponte do Freixo com a sua pequena subida e ela nem ameaça querer descer dos 90. Depois da ponte subi para os 95/100 e fiquei por aí. Logo após a saída para a A29 a estrada sobe um bocado. Entrei a 97 e cheguei ao cimo a 94. Parecia bem. Muito bem até.
Daí até à saída para Grijó são 4/5 faixas em plano e até ligeiramente a descer em alguns pontos. Estava sem trânsito. Passei para a faixa mais à direita (fica mais perto da berma :) ) e acelerei. 98...102...105...110...122!! Mantive-a aí por uns dois minutos e depois baixei para os 90 que isto de rodas pequenas e esta velocidade pode não ser boa ideia. O meu ritmo cardíaco demorou mais a descer.
Regressei nas calmas com um sorriso estupido colado nos lábios.
1 de agosto de 2014
As cicatrizes são dela
A menina voltou hoje a casa, mesmo a tempo de me levar amanhã à Festa da Moto.
Deixou na Motocentral pó e algum lixo do carburador e trouxe uma relação de transmissão nova, embraiagem mais leve, cablagens com interior em nylon e um ou outro parafuso novo.
Manteve as cicatrizes e as tatuagens. São dela e mereceu-as.
Esta noite descansa protegida por uma "véu" bem a seu gosto....
Deixou na Motocentral pó e algum lixo do carburador e trouxe uma relação de transmissão nova, embraiagem mais leve, cablagens com interior em nylon e um ou outro parafuso novo.
Manteve as cicatrizes e as tatuagens. São dela e mereceu-as.
Esta noite descansa protegida por uma "véu" bem a seu gosto....
23 de julho de 2014
Marvão, o agricultor e a casa com flores
Nem sempre corre totalmente
bem.
Como fui passar o
fim-de-semana a terras de Marvão, mais exatamente no fantástico Monte de S.Sebastião, levei a bicicleta para tentar repetir o trilho Beirã-Areias que
tinha já feito uma vez. Houve uma pequena parte do caminho que da outra vez
tinha atalhado por pressões de tempo e porque não me pareceu lá muito
interessante. Desta vez resolvi conhece-lo. E ainda bem, porque acabou por ser
das partes mais giras da rota. Rápida, exigente e com uma descidas em pedra
equivalentes a 10mg de adrenalina diretamente numa veia. Só que…
Com a temperatura a
rondar os 28º e sem andar de bicicleta desde há tempo demais, as minhas pernas
ressentiram-se e a uns 6 Km’s do final comecei a ter cãibras constantes. Lá
parava um pouco, alongava e a coisa melhorava. Mas o trilho é exigente, com
caminhos muito irregulares de pedra um pouco a subir e rapidamente tinha de
parar de novo.
A apenas 2 Km’s do final,
já numa estrada, linda por sinal, desisti e resolvi continuar a pé. Mas nem
assim. O femoral não perdoava e nem caminhar conseguia. Nunca tal me tinha
acontecido. Estava prestes a pegar no telemóvel, que agora nunca fica sem
bateria nem com os programas de navegação todos ligados, graças a uma bateria
externa USB que agora uso e eis que saído de um caminho, entra na estrada um
lavrador com uma Pick-Up de cor indefinida e aspecto de muito trabalho.
Faço-lhe paragem e peço boleia.
Num Alentejo já profundo,
algo fora do habitual é bem-vindo para quebrar a monotonia do dia a dia. Ficou
ele tão contente como eu. Atirei a bicicleta para a caixa aberta da carrinha e
instalei-me na cabina onde ele se preocupava em tirar a terra do banco em que
ninguém se devia sentar há muito.
Vou trabalhando a terra, que sou sozinho e o que é
que hei-de fazer? Nunca falo com ninguém e por isso hoje nem trouxe os dentes,
explicava-me com um sorriso desdentado e sincero.
Por ele até me levava a
casa, mas lá lhe expliquei que tinha o carro na estação.
Triste ver pessoas boas
tão sozinhas.
A meio do trilho tinha passado por Santo António das Areias, onde na Praça de Touros, sim, mesmo no edifício
da Praça de Touros, debaixo da bancada, vive a Dna Maria Teresa.
Já tinha conversado com
ela uma vez ou duas. Tem a entrada repleta de plantas e flores, que se percebe serem o seu
orgulho. Parei à porta e chamei. Logo apareceu, com um sorriso tão sincero como
o do meu motorista desdentado. Lembra-se de mim, pergunto?
Claro, já cá esteve a
tirar fotos às minhas flores e outra vez de bicicleta!
Boa memória, ou pouca
gente de fora. Ou as duas coisas.
E posso desta vez
tirar-lhe uma foto com a minha bicicleta?
Diz que sim com uma
alegria que me contagiou.
Fotos tiradas,
agradeço-lhe e ia-me embora.
Olhe, queria pedir-me uma
coisa!
Pode por favor pôr esta
foto no Facebook?
Fiquei abismado. Aquela
senhora já avançada na idade, que mora debaixo de uma bancada numa praça de
touros de uma terra minúscula do Alentejo profundo sabe o que é o Facebook!
É que é para os meus
netos verem!
Claro que sim. Não se
preocupe. Despedi-me e continuei.
E agora? Como vou arranjar
maneira dos netos verem a fotografia da avó à porta de sua casa, ladeada pelas
suas plantas e a segurar uma bicicleta de montanha?
Não sei, mas arranjarei
maneira
Para já escrevo isto,
pode ser até, que alguém que se tenha dado ao trabalho de ler até aqui, conheça os netos. Agora vou imprimir a foto e enviar por correio para a Dona
Maria Teresa.
Foi uma tarde gira.
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