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13 de junho de 2018

4onTour

Passear é preciso.
Todos os anos reservo uns dias para passear de scooter com amigos.
Estas máquinas lentas, velhas e bonitas pedem viagens calmas, longe dos caminhos mais percorridos e por cantos desconhecidos.
Em vários anos a nossa escolha foi participar no Lés a Lés, mas no ano passado decidimos vadiar um pouco por terras de nuestros hermanos. Chamamos-lhe Galizasturias
Este ano optamos por fazer o Lés a Lés... do ano passado!
Recorrendo ao Road-Book da edição de 2017 e a uma parte do de 2012, eu e os três suspeitos do costume, que no momento em que escrevo estas linhas estão já a viajar de Lisboa para o Porto,  sairemos amanhã guiados por uma espécie de Road-Book que preparei para a ligação a Vila Pouca de Aguiar. A partir daí seguiremos a rota 19º LaL, que nos levará, entre muitas outras, por terras como São João da Pesqueira, Foz Côa e Almendra até Figueira de Castelo Rodrigo onde pernoitaremos. A partir daí, sempre pelo interior visitaremos Sortelha, Fundão, Ademoço ou Oleiros até perto de Arronches para mais um descanso. Virão depois lugares como Monsaraz, as minas de São Domingos ou Mértola até Cortelha. No ultimo dia Baleizão, Silveiras e Vendinha são alguns dos lugares que ficarão no caminho que nos levará a Lisboa, onde contamos chegar no Domingo, após passarmos ao todo cerca de 100 cidades, aldeias e lugares nuns 2000 Km's de diversão.
O meu regresso ao Porto ainda não está fechado, sendo uma das hipóteses deixar lá a Vespa e um dia destes fazer o caminho até cá nas calmas.










11 de março de 2018

Galizasturias (II)

Throwback 2017.

 Em ritmo de ligação ao território de nuestros hermanos, a saída de Portugal não prometia interesse. A autonomia destas máquinas obrigam-nos por vezes a reabastecimentos a partir de Jerrycans na berma de estrada, os quais já não são para nós novidade, nem dificuldade. Talvez por isso o Miguel quis subir a parada. Amarrou o reservatório com um cadeado... e esqueceu-se do código!


Um pouco de força, concentração e algumas rezas ajudaram à resolução.



Com a Vespa ainda limpa revi a colocação dos autocolantes da Motorex, patrocínio obtido através da Motocentral, que como habitualmente me preparou a máquina para passear


No viajar de scooter em ritmo de passeio, o destino acaba por ser o menos importante. O interesse encontra-se em cada curva e em cada desafio da estrada. Imaginamos neste primeiro dia atingir Finisterra por emblemático e suficientemente longe para já nos saber a passeio. Foi um inverno longo e já estávamos com saudades destas estiradas maiores em scooter.
O rendilhado da costa norte de Espanha oferece praias, baías e cabos, todos eles merecedores de visita. Havia que fazer concessões, ficou o sabor a pouco pelos que perdemos, mas na retina a imagem dos que ganhamos.



Alguns enganos na rota quase pareceram intencionais, ao revelarem pequenos paraísos onde se estaciona em areais relvados


Pelo caminho oferecem-nos mapas anotados e sugestões de percurso




Fisterra não desilude. Local de peregrinação e de encontro com um vasto oceano. Sente-se o silêncio dos caminhantes em final de viagem que abafa o ruído do vento. Vamos descansar as máquinas.









Decidimos a alvorada cedo, mas não tanto como o Lés nos tem obrigado.

Continuamos pela costa. Menos de uma dezena de Km's depois paramos para um foto do farol. Um caminhante aborda-se de nós elogiando as nossas máquinas, oriundas da sua terra Natal. Estava a caminhar há mais de um mês. Vinha cansado e alegre. O seu destino era onde tínhamos acabado de pernoitar. A partir daqui decidi reduzir o tempo gasto com fotografias. Gosto de preservar memórias, mas uma atenção excessiva à câmara acaba por me tirar tempo para absorver o ambiente dos locais.
Muxia, Laxe, Corunha eram algumas das nossas "guidelines" para o dia que pensamos acabar em Ribadeo. Neste dia tive pena de não ter as fotos com Geolocalização. Encontramos locais que gostava de poder apontar com exactidão.





Entre eles destacou-se a vista abaixo a que se seguiu uma descida de serra, em que desligamos os motores e descemos uns 12Km's em quase absoluto silêncio, curva contra curva, com pássaros a acompanhar-nos, sem distracções de filmagens, a saborear cada um dos segundos e o vento como único indicador sonoro. Ninguém teve coragem de perturbar este momento. Nos rádios todos fizeram silêncio. No final paramos, respiramos fundo e avaliamos se devíamos repetir. Não o fizemos. Assim ficou a vontade de voltar.




O resto do caminho levou-nos a um jantar de petiscos em Ribadeo, enquanto as Vespas conversavam sobre o dia




No dia seguinte iríamos despedir-nos da costa. Navia seria o ultimo vislumbre do oceano nestes dias. A partir daí as serras seriam o nosso deleite e Molinaseca o nosso objectivo. Sem pressas de chegar, carburadores a desentupir, declives a vencer e claro muito calor.

 






Começava agora a serra mais a sério. Andar na serra com estas máquinas lentas tem algumas vantagens adicionais em relação a usar uma mota grande. O gozo das curvas no limite faz-se a uma velocidade mais segura sem diminuir a adrenalina, absorve-se muito mais toda a envolvente e os momentos duram mais tempo. Mas esforça as máquinas e algumas por vezes exigem carinhos especiais.


 


Somos um informático, um motorista, um advogado e um gestor. Nenhum mecânico. Mas os nossos conhecimentos complementados costumam conseguir tirar-nos de situações apertadas na berma da estrada e continuar como se nada fosse ao encontro de vales com enormes barragens e picos a mais de mil metros.





Um complexo mineiro abandonado surge perto de Ponferrada a desfigurar a beleza natural, já a pouca distancia do nosso destino do dia



Molinaseca é uma terra atravessada pelo Caminho de Santiago, bem recuperada e onde se pode passar uns dias. Só íamos estar umas horas, por isso aproveitamos.






De novo elas ficaram à conversa até tarde.


Acordamos com uma mensagem do Duarte, que estava a fazer o Lés, a mostrar-nos que mesmo sem termos ido naquele passeio, não estávamos esquecidos. Aliás todo o milhar de participantes nos tinha visto logo pela madrugada:


Este seria o nosso ultimo dia por terras de Nuestros Hermanos e até Chaves experimentaríamos paisagens inesperadas e momentos descontraídos sempre sem pressas e em ritmo de passeio









Rumo a Chaves e perigosamente perto do fim destes dias que todos os anos reservamos para passear de scooter com amigos.

 


Aqui engatamos na N2 até Peso da Régua


Quatro amigos, quatro Vespas, cinco dias, algumas avarias, muitas gargalhadas, cantorias pelos rádios, conversa em dia. Resta agora esperar pelo próximo ano, em que com certeza encontraremos de novo maneira de usar uns dias neste ritmo, por Espanha, Portugal ou outro caminho qualquer, talvez também neste neste formato agora experimentado. Porque o destino pouco importa. O caminho e a companhia esses sim.
Obrigado Vasco, Paulo e Miguel.