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17 de maio de 2009

CN Enterprise NCC-1701


Sabem quando tudo na vida se conjuga no mesmo sentido?
Não será por isso coincidência que tenha hoje escolhido ir ver o filme Star-Trek, pois naves espaciais sobejam por lá e não pensem que nesses veículos sou total maçarico. Há dias, pelos lados de Arganil, foi-me dada a oportunidade de experimentar a Honda CN250 (Helixprise) do Vasco, cuja única diferença para a Enterprise reside no facto de ter rodas! O resto é igual.
Estão a imaginar uma Scooter? Então esqueçam, não tem nada a ver. Um sofá de dois lugares preenche a sala de comando da nave, fazendo perceber até que ponto os Japoneses prezam a saúde dos seus traseiros. Lugar para os pés? Melhor só se tivesse massagens. O guiador? Esse vem ter connosco, tal como se fosse um sofisticado comando de um televisor de plasma super-moderno, deixando à mão de semear todos os muitos controlos que possui, provavelmente para assegurar o controlo seguro dos mísseis ar-planeta ou da escotilha de viagem plasmo-atlântica. Mas o plasma também existe. Um mostrador digital, em duas, sim duas cores, permite supervisionar toda a actividade a bordo. As rodas ou os buracos ninguém dá por eles, se é que existem, tal é a suavidade em viagens lentas ou rápidas até Mach3, pelo menos.
O silêncio? Nem as orelhas de Mr. Spock se sentiriam incomodadas.
Eu assegurei acima que não era muito maçarico em Intergalactical Transporters, mas tenho de confessar que o tamanho, a força e a roda da frente lá longe, me intimidaram.
No entanto confesso que me soube a pouco. A máquina parece pedir para a deixarmos andar e curvar. A travar nem hesita.
Ao fim e ao cabo quem hesitou fui eu, mas isto já vem de criança. Nunca fui de abusar delas logo no início. Vou apalpando devagarinho e experimentando mais um pouco. Por vezes deixo um pouco para o próximo encontro.

15 de maio de 2009

Auto-Combustão aka Guimarães-Lisboa de T5





Outubro 2008
Sabem o que é um colchão de folhelho? Pois, eu agora também sei e não é propriamente o mais indicado para a véspera de um magnífico passeio pelas nossas maravilhosas estradas, brilhantemente organizado pelo Vespa Clube de Guimarães, que nos levou até à sede do mais antigo Vespa Clube de Portugal. Nota-se que não foi debalde que Portugal escolheu esta localidade e estas gentes para ver a luz do dia. Dia esse que começou bem cedo e após uns bons cinco minutos de sono para os privilegiados, como eu, que não entendi ainda muito bem por que voltas, terei sido o único a ter um quarto individual. Obrigado, mas eu continuo a achar que alguém se enganou. Acompanhado pelo Outeiro em GTS e pelo Carlos em Sprint, desta feita com a minha Heinkel substituída por uma Vespa T5, a única na comitiva, (mas acho que andava lá um motorzito destes disfarçado), respeitei assim um pedido da organização e lá arranquei cheio de remelas mas bem “pequeno-almoçado”, ostentando um enorme autocolante alusivo à Heinkel que não consegui resistir à tentação de levar na minha vespinha (desculpem, mas assim fiquei vingado). Felgueiras, Lixa, Amarante, Baião... e lá começou o percorrer de um bonito percurso embora com pouco tempo para o apreciar. Primeira surpresa na Régua que quando cheguei “já tinham todos ido embora!!!!” Talvez não tivessem gostado tanto como a tri-equipa que integrei, de passar pelo alto de Baião e pela Fundação Eça de Queirós, onde, vindo de Paris, este escreveu parte do conhecido romance: “A Cidade e as Serras”. Mas rapidamente foi de novo posta à disposição uma magnifica bôla de carne e um óptimo Porto que nos confortou o corpo e a alma até Lamego onde encontramos dois experimentados destas andanças e minhas companhias do Lés a Lés, o S800 e o Júlio Santos. Aí comecei a acreditar que não estaríamos assim tão atrasados e lá retomamos o passeio, despachadinhos mas com a calma que convém a uma prova de regularidade. Curiosamente ao chegar a Castro D’Aire soubemos que uma equipa estava já a almoçar... a duas horas de distância... “Regularmente” receando pelo nosso almoço lá fomos andando, acompanhados sempre pela Ambulância e a carrinha de Assistência, a primeira com a sua magnífica “corneta” a assustar toda a gente abrindo-nos assim caminho facilmente. Obrigado ao “menino” e á “menina” que lá seguiam pela simpatia e pela ajuda que viriam a prestar a um de nós que entusiasmado pelas curvinhas, acabou por ficar a conhecer o limite de aderência da sua máquina.
Com a barriga a dar horas, mesmo a chegar ao pé das sandes de leitão e ao colocar a T5 em ponto morto achei que era boa ideia ir mesmo a Fátima pois senti que só podia ser um factor sobrenatural que estava a manter o meu motor em funcionamento MESMO DEPOIS DE LHE TER TIRADO A CHAVE Com a maior calma do mundo, enquanto que eu aterrorizado com a chave na mão e olhos fixos no conta rotações que indicava 8600RPM eu paralisei, o Mauro deixou a sua montada com o seu companheiro das fitinhas nos calções, um espécime oriundo das latitudes de Coimbra, com aspecto duvidoso, mas que em grupo até disfarçava graças a alguns coletes com muitos bordados que afinal existem nestas lides, aproximou-se e com a tarimba de muitos anos e Km de Vespa disse: Sai daí antes que estragues mais. Então não vês que isso é Autocombustão Fechou a gasolina e após o motor parar voltou a liga-lo e voilá! O ralenti certinho de novo. Isto quem sabe, sabe. Vou-me fartar de armar em entendido quando isto acontecer com outro. Ainda acrescentou com um ar verdadeiramente doutorado: Agora vê lá se pões a vela adequada que isto não é uma Heineken... Chegados a Fátima já sem tempo para visitar o Santuário, mas contentes com o bom alojamento que nos esperava. Não sou tipo de agradecer mais de vinte vezes, mas abro aqui uma excepção para me congratular com a forma como fui sempre bem tratado por todos, mesmo aqueles que só virtualmente me conheciam. Novato como sou nestas andanças, notei a preocupação que todos e em particular os organizadores tiveram em assegurar que eu tinha o que precisava. Sensibilizou-me e agradou-me. Farei gosto em retribuir. Até que enfim conheci o Sr. João e confirmei a simpatia de que já desconfiava. Um dia ainda vai ter uma Scooter em condições para andar, vai ver. A manhã de domingo começou com um outro bom pequeno-almoço e um ritmo mais de passeio, que pelo Cartaxo nos havia de levar ao destino. Pelo caminho tive a oportunidade, já que a Heinkel já tinha sido traída e tinha, de fazer um Test-Drive ao “secador” do Júlio, que encurtei com receio de me habituar ao que é bom. Boa para ir ao supermercado e chegar a casa com os ovos inteiros. Ele por sua vez constatou que embora a T5 seja “gira”, não lhe cabem lá os pés. Novamente o Sr. João a tratar de nós como reis, oferecendo inclusive uma escolta policial. Grande Sr. João!
Rumo a Lisboa, estavam já quase cumpridos os cerca de 500Km desta odisseia, começando eu a sentir que realmente um Heinkelista guia tudo. Um passeiozito por locais bonitos de Lisboa, com o rio por perto, oportunidade para conhecer o Tiago Alves, e chegamos ao Vespa clube de Lisboa, onde a Paula e comitiva nos esperava sempre sorridente e prestável. O Ilde acabou por conseguir aparecer também... bolas Como já tinha sido combinado, as Vespas da Tri-Equipa lá saltaram para dentro da Carrinha do omnipresente Paulo e o Júlio Santos ainda foi a casa buscar o carro para nos levar ao comboio. Grande espírito. E por falar em Paulo Salgado. Já repararam que este cavalheiro passa a vida a fazer Km de carrinha para que nós os possamos fazer de Vespa, ou seja ele trabalha para que nós brinquemos. Não foi surpresa, pois não é a primeira vez, mas é de louvar. Obrigado Paulo. Espero vir a ter oportunidade de retribuir. Miguel, Marcelino, Paulo, Vasco e a muito outros que não sei o nome, obrigado por nos oferecerem o vosso trabalho e tempo livre.

Scooters no Berço

Sete da matina. O Sol prometia...e cumpriu.



Abril de 2007
Não foi debalde que Portugal escolheu Guimarães para nascer, tal é o deslumbramento das suas magníficas paisagens, apenas superado pela visão das deslumbrantes miúdas de mini-saias e decotes avantajados , que à nossa passagem provocavam distracções momentâneas nos condutores, causando alguns ziguezagues rapidamente corrigidos . Como verdadeiro encontro de Scooters multimarca fomos presenteados com a presença de Vespas, Heinkel's, Lambrettas e outras máquinas menos Scooters como Florett, Mobylette, Yamaha, etc, de vários tipos e feitios que competiam em idade com os condutores. Capacetes e casacos da época completavam o retrato. Foram 44 pessoas, um carro e uma carrinha de apoio, cerca de 36 Scooters, 6 Heinkel, 3 Lambretta, 25 Vespa, além de uma Yamaha e uma Mobbilete, a rugirem e a fumegar pelas encostas abaixo e a soluçar por elas acima! Chegavam amigos de todo lado. Coimbra, Ponte da Barca, Braga, Porto, Maia, Póvoa de Varzim, Viana, Gaia……. Obrigado a todos. A carrinha e o carro de apoio, ambos devidamente identificados com o cartaz, garantiram ajuda a todos os que dela precisaram, mas disso falo mais à frente… ou talvez não! Reunidos os participantes todos, partimos, atrasados claro, do Castelo do tal infantário, percorrendo estradas e caminhos históricos (e íngremes) ou de alcatrão (e ingremes outra vez), num total de aproximadamente 70 Km, quase sempre a subir, ou pelo menos parecia! Eram constantemente dadas mostras de carinho e amizade a todos os que as quiseram, mas o priveligiado foi sem dúvida o condutor da Mobyllete, pois em todas as subidas havia sempre uma mão amiga nas costas que o encorajava a continuar. Para empurrar???, não, era como um abraço de companheirismo. Uns Km's à frente paramos no Cachorrão para um café e um bolo oferecido pelos donos deste Snack-Bar. De novo na estrada (a subir outra vez!!) as seis Heinkels presentes quiseram mostrar a sua fibra! Tal era a vaidade com que calcorreavam o pavimento, que uma delas, (a Jenny), toda enfunada e a abanar a anca, resolveu dar ainda mais nas vistas e começou a emitir graciosas nuvens de fumo. Curiosamente pouco depois parou, amuou e não mais andou!. De castigo foi para doca seca dentro da carrinha! Toma lá para aprenderes. Com a moral mais em baixo (que é como quem diz, pois deviamos estar a 2000 m. de altitude) as Alemãs cederam a popularidade às Italianas que marcaram o seu lugar bufando (muito) encosta acima, enquanto que eu orgulhosamente e de trombas , ocupei o lugar do passageiro no carro. Ainda houve umas velas, porcas e freios a precisarem de ser mudadas ou apertadas em Vespas ou Lambrettas (He He He) e um volante de Heinkel que resolveu emancipar-se da forqueta enquanto eu a conduzia por empréstimo, (terá sido por isto que mais ninguém me emprestou a mota?????) mas isso não interessa nada, dadas as oportunidades de parar periódicamente para aspirarmos baforadas de ar puro junto a campos acabados de estrumar. Isto de Scooterismo encanta todos, a julgar pela presença de dois elementos de tenra idade: o João Paulo que é o pendura/filho do Paulo, com 6 anos e ainda uma menina igualmente encantadora com sete anos vinda creio eu da Aguçadoura. Qualquer dia estão os dois a ir sozinhos de Scooter. Estejam atentos paizinhos.Chegados a S. Bento das Pêras a 5000 m. de altitude (pelo menos pareceu) foi encaixar as pernas debaixo das mesas, tarefa por vezes menos fácil, e deliciarmo-nos com a paisagem, o ambiente e os magnificos rojões que nos serviram. Foi um momento de silêncio quase absoluto, não fosse o chato do Eusébio que teimava em mostrar o quão bem ficava de calções e botas (gosto discutível) e um outro senhor de apito, (o Marcelino), que teimava em azucrinar-nos os ouvidos, mas em compensação ajudava a trazer a comida. Nem o cafezito com ou sem cheirinho faltou à chamada e estava tudo 5 estrelas. Seguiu-se um sorteio de prémios, principalmente câmaras-de-ar, o que permitiu a alguns Scooteristas voltar para casa com pneus enfiados no pescoço, bonés novos ou mesmo capacetes clássicos! (ganda pinta). Depois de aturarmos um pouco mais esse tal Eusébio a mostrar os calções, voltamos à estrada quais cavaleiros fumegantes com as montadas a rugirem pelo peso adicional dos rojões e eu porque não gosto de usar cinto de segurança comecei a cravar boleias à pendura. Obrigado pelos que me aturaram sentado atrás. Sempre deu para filmar qualquer coisa e até soube bem (a Jenny continuou de castigo). Foram uns quilómetrozitos a descer (aleluia), causando alguns sonoros rateres nas máquinas. Acho que os rojões não tiveram nada a ver com isto). Rematado tudo isto pelas 6 da tarde com um excelente lanche de febras assadas e vinho que jazia em garrafas numa fonte (a sério!), servido no cimo de uma serra que de certeza era mais alta que a da Estrela, ao ponto de terem havido desistências a meio da subida (não, não foi nenhumas das Heinkels remanescentes seus engraçadinhos). Aqui foi mesmo preciso lutar para chegar à comida. Restou o regresso que a esta hora já sei que correu bem para todos. Agora a parte formal: Obrigado a todos que conduziram, ajudaram, apoiaram, fotografaram, atrapalharam, he, he, pararam o transito em todos os cruzamentos e rotundas, etc, por terem feito deste passeio um domingo de convívio salutar e sincero, de entreajuda e apoio. Pouco percebo de fenómenos sociais, mas não sei de muitas coisas que tanto aproximem as pessoas como o que eu vi hoje. Obrigado por serem assim. Não posso agradecer à organização por motivos óbvios, mas posso isso sim agradecer como participante que também fui, ao incansável Paulo e à sua família, ao Eusébio e os seus calções, ao Ribeiro da Motocentral e ao Snack-Bar Cachorrão por ajudarem a suportar as despesas e a reparar as avarias, ao Fernando Tavares e ao condutor da carrinha por irem sempre atentos a nós e principalmente aos participantes por terem lá estado. Obrigado. Deram-nos força para repetir.

13 de maio de 2009

A minha Scooter de eleição... desde à muito tempo

Se quero falar de scooters e de reviver sonhos de adolescência, tenho primeiro de apresentar a principal protagonista, a minha scooter Heinkel Tourist 103A1 de 1960, que me foi oferecida pelo meu avô.
Tinha então 16 anos e passou a ser o meu meio de transporte regular. Não estava em muito bom estado, mas nada que umas latas de spray não resolvessem. Deu-me anos de bom serviço até ficar a descansar no fundo da garagem até 2005 quando foi restaurada. Mas vamos começar pelo principio.
Os quartos da "tralha" costumam ser um bom sítio para começar. Entre muitas outras recordações interessantes, encontrei umas fotos dos meus primeiros anos de "Scooterismo". Nunca me cruzei nessa altura no Porto com mais nenhuma Heinkel e andava comigo muitas vezes um amigo com uma Casal Carina verde. Não sei o que é feito dele.... nem da Carina Então aqui fica uma tirada em 1983/84 na Rua do Bonjardim, onde está o meu irmão de T-Shirt ás riscas, eu de calças de ganga e pullover azul e um cabelo para o compridinho , mais 3 amigos e uma amiga, á volta da magnífica Heinkel em preto fosco!


Três anos depois, em Outubro de 1985 nos terrenos onde hoje fica o Gaia Shopping, ainda a Heinkel em amarelo canário comigo...com o cabelo bem mais curto:



E com a minha namorada, hoje minha mulher:
Não sei se repararam no pormenor do capacete com banda desenhada pintada. Finalmente numa outra roupagem, que por acaso foi a primeira em 1979/80.