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8 de janeiro de 2012

Gatos da Viela ou Ferramenta de Apertar


Tanto me faz, na verdade. Vou explicar, então.
Apesar de não ser totalmente viciado em enlatados, passo algum tempo a secar dentro deles. Mas também uso as duas rodas motorizadas sempre que posso e o Metro é também uma das minhas alternativas. Isto tem-me permitido conhecer algumas pessoas ligadas ao mundo das duas rodas e dois, aliás três deles, juntaram-se e resolveram abrir uma loja de bicicletas. A Velo Culture.

Na verdade é mais que uma simples loja de bicicletas. É um espaço onde se cultiva também o estilo de vida que está associado a esta opção. Ou seja uma vida "Not so Fast", com tempo para ver por onde passamos, sorrir para o buliçoso ritmo citadino em vez de estar preso nele e ao parar ter uma sensação de leveza e bem estar que não consigo descrever. Só sentir. Sem querer pretender ser ambientalista, alternativo ou discorrer sobre um veículo sustentável e agradável, a bicicleta é realmente algo que aconselho experimentar.
Mas voltando à sensação de leveza, isto foi sentido claro, antes de desmontar, pois não tenho propriamente uma preparação física que evite que as pernas pareçam gelatina nos primeiros passos. Dizem-me que passa!
Assim depois de duas semanas a acompanhar as obras de instalação da loja, no típico espaço que é o Mercado Municipal de Matosinhos, ansiava já pela inauguração, que aconteceu ontem, dia 7/1/2012.


Também eu cheguei a pedalar, apesar de numa modesta bicicleta do Bike Tour do ano passado, que rapidamente e quase envergonhadamente encostei à parede mais próxima, de tal forma destoava das dos convidados presentes e das que a loja comercializa. Viam-se Fixed, Single Speed, City Bikes, Eléctricas, Dobráveis, Home-Made, Cargo-Bikes, Nacionais, MTB's, de corrida, tudo... Crianças, Teenagers, Pessoal menos novo um bocadinho, miúdas, pais, filhos...
A minha atenção dividia-se entre o admirar destes diferentes tipos de bicicletas e o tentar responder à simpatia das pessoas que se aglomeravam já no passeio por na loja já não haver espaço para mais ninguém. Entre aperitivos e cerveja tradicional, elogios e cumprimentos, visitas das edilidades locais e grupos que chegavam e partiam, chegou o ponto alto da festa, mas também o meu mais receado. A Alley Cat Race, ou em Português a Corrida do Alicate! Uma corrida informal, com um percurso pequeno e pontos de controle, que cada um faz na ordem que preferir, em grupo ou sozinho, pelo passeio ou pela estrada. Estava com vontade de participar, mas um pouco intimidado por tanta gente habituada a pedalar com regularidade. Não pensei mais e inscrevi-me. E ainda bem, pois apesar das desvantagens que sentia ter, a verdade é que consegui chegar ao fim sem percalços de maior e cumprir assim num tempo sofrível todo o percurso. Não cheguei em primeiro, é verdade, mas também me pareceu que esse não era o único objectivo do passeio. A ideia era também pedalar um pouco ao ritmo de cada um. E foi isso que fiz. Os primeiros 100 metros foram uma tortura com as pernas a acusarem a falta de habituação, mas um pouco depois já o Farol da Boa Nova estava à vista, chegar às Vareiras foi canja e a Igreja do Senhor de Matosinhos foi alcançada sem que sequer tivesse de ir pelo caminho mais curto. Valeu-me o arranque tardio de um dos participantes, para evitar que o meu nome ficasse num dos topos da lista :)

Valeu-me também a companhia de ciclistas mais calmos e a temperatura baixa que nisto até ajuda.
Tive pena de não ficar para jantar, mas para a próxima está prometido, como está prometida também a repetição da participação nas próximas passeatas. Obrigado a todos pelos agradáveis momentos e muito boa sorte para o Miguel, o Hugo e o Sérgio com a sua Veloculture, bicicletas e estilo de vida.
Passem por lá que não darão o vosso tempo por perdido depois de verem as verdadeiras obras de arte que eles lá têm.
Um ultimo comentário. Passem na vossa garagem, encham os pneus da bicicleta que lá está esquecida há anos e experimentem. Mas um aviso: Podem gostar!