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8 de agosto de 2021

Moinhos de Jancido

3/2/2021 

Se há algo bom em ter os movimentos e deslocações limitados, é o olharmos para mais perto. Fica mais fácil ver os locais que nos esperam  mesmo aqui ao lado.

Desta feita fui espreitar um local em Gondomar que dá pelo nome de Trilho dos Moinhos de Jancido.

É bonito, calmo mas infelizmente pouco estruturado ou cuidado. Mesmo assim gostei de calcorrear calmamente os poucos mais de 5 Km deste trajeto envolto pela natureza e riachos entre a Linha de Midões e os Moinhos de Jancido.

O ponto alto são, claro, os oito moinhos. Mais especificamente, um de formato redondo em xisto e telha de lousa, com uma cascata ao lado.

Estas estruturas têm mais de 200 anos, rodeadas de levadas e cursos de água (afluentes do rio Sousa) e herdaram os nomes das suas famílias:

Moinho do Quintas, Moinho do Oliveira, Moinho do Capela, Moinho do Alves, Moinho do Caralhitos, Moinho do Almeida, Moinho do Crestina e Moinho do Garrido, na ordem da nascente para a foz.

De sublinhar honrosamente que foi um grupo de voluntários locais a transformar as ruínas destes moinhos e a dar-lhe uma nova vida: Os Amigos de Jancido, que se uniram para restaurar, limpar, plantar e definir percursos — e até construir uma ponte pedonal.

Passem por lá, vão com tempo e devagar.
















21 de julho de 2021

Obrigado "Handa Nagazoza"

Quando se gosta de máquinas antigas a tentação em acumular motas na garagem é quase impossivel de resistir.

Adicionada à minha enorme dificuldade em separar-me de objetos que me proporcionaram momentos bons, está pronta a tempestade perfeita.

Num recente passeio com uns amigos, tive oportunidade de experimentar uma máquina mais recente e fiquei rendido. O dono comenta comigo que quando conseguimos libertar-nos fica-nos espaço, financeiro e fisico, para experimentar novos brinquedos. Esta ideia ficou-me a remoer durante meses.

É um facto que tenho rodas a mais na garagem e que por isso aproveito menos todas elas.

Mas é também verdade que tenho uma que não pode sair da minha vida, uma que me leva mais longe mais rapidamente, uma que está sempre pronta a arrancar, uma que me faz sentir um miúdo inconsciente a acordar a vizinhança, uma que...

E fui adiando.

O meu mecânico um dia em conversa comenta o aumento da procura e consequente valorização de uma das minhas scooters. Gaguejei, tossi duas vezes e entre dentes disse-lhe que se calhar até a vendia. Mudei de assunto.

Passado uns dias voltei à oficina a saber da Lambretta que tinha ido fazer umas afinações e perguntei-lhe se podia tratar dela em breve. Olhou para mim espantado e recordou-me que lhe tiha dito para lhe arranjar um novo dono! Mas tratava-se da "Handa Nagazoza", com palmarés conhecido no meio e por isso não a poderia entregar a qualquer um! Entre dentes reafirmei a intenção e dois dias depois liga-me a confirmar a transação. Nem a quis voltar a ver. Garantiu-me que para quem ía seria bem tratada e acima de tudo respeitada. Desde aì várias vezes me recordo e arrependo, mas não há como voltar atrás.

Obrigado Lambretta. Obrigado "Handa Nagazoza"

















:(











20 de abril de 2021

Certificação da Heinkel


A minha Heinkel Tourist 103-A1 tem passado por várias etapas ao longo da sua vida em que muitas se misturam com a minha vida também.
Desde o final dos anos setenta quando passou para a minha posse, oferecida pelo meu avô, foi veículo de uso diário, esteve mais de vinte anos guardada na garagem, teve um restauro total em 2005, altura em que passou a ser um elemento algo conhecido no mundo do scooterismo nacional. Esteve exposta algumas vezes, superou com sucesso absoluto as provas a que a submeti com especial relevo para três participações no Lés a Lés onde foi equipa numero 1 e terminou etapas em primeiro lugar.
Faltava agora um reconhecimento oficial da sua autenticidade e interesse histórico.
Decidi assim contactar o Museu do Caramulo, conhecido pela sua coleção unica de automóveis e motociclos antigos e entidade certificadora reconhecida, solicitando que dessem o seu veredicto.
Assim o fizeram. Após o envio da história da scooter, inumeras fotografias e caracteristicas técnicas marcaram uma data para a validarem presencialmente.
No passado dia 10, os técnicos do Museu depois de a observarem e testarem pessoalmente declararam a Heinkel "Viatura de Interesse Histórico".
Fica desta forma reconhecida a qualidade de conservação e originalidade da scooter que está na minha familia há 3 gerações.








1 de dezembro de 2020

LICET RIDE a cumprir a tradição

12/10/2020
O que há em comum numa BMW 650, uma Honda DOHC e uma Transalp?
À primeira vista nada, mas são os sócios fundadores e elementos únicos do exclusivo clube Lambretta Invicta Clube Extreme Team. Pouco se houve falar deste Clube, mas isso é porque é muito secreto, por isso vejam lá se não divulgam!
Fazendo jus ao objetivo daquela associação secreta e informal, de novo esta concentração de Lambrettas contou com zero Lambrettas!
Sérgio e Hugo, será de rever os estatutos? Ou assim é que estará bem?
Cedo na manhã e comigo de novo atrasado (quem lhes manda combinarem à porta de minha casa), afina-se o OruxMaps do Sérgio que estava com o mapa errado (de novo) e o Hugo olha-me de soslaio não vá eu chateá-lo de novo com estas modernices. Afinal ele conduz uma Honda CB450 DOHC imaculadamente restaurada. Usar um sistema de navegação seria no mínimo sacrilégio. É uma mota de Gentleman. Ainda se fosse a obrigatoriedade de usar cartola, ainda vá, mas engenhocas...
Com o percurso a cargo do Arquiteto Sérgio (bem entregue, portanto) em vez de nos atirar-mos logo para uma qualquer via rápida, seguimos para norte pela N13, entre campos de cultivo, num ambiente rural que não seria de adivinhar tão perto da Invicta. Poucas dezenas de pachorrentos Km´s depois, saímos para uma nacional ainda mais pequena que nos brindou com umas curvas interessantes, por vezes semeadas com areia que nos despertavam em menos de um fósforo. Tanto que em Junqueira resolvemos atar as nossas montadas para um retemperador pequeno-almoço entremeado com boa conversa. É que continuo sem conseguir converter estes meus amigos à utilização de uns intercomunicadores. Até já experimentaram, mas foi só um frete para me fazerem a vontade. Consciente disso resolvi não insistir. No entanto pretendo chama-los à razão em breve, passando a utilizar um megafone em plena estrada para falar com eles. Nem que seja pela vergonha lá hão-de reconsiderar.




Rumamos a Barcelos e a Ponte de Lima rumo aos Arcos de Valdevez, onde pouco depois esperávamos começar a ver faltar-nos as estradas relativamente boas lá por Senharei, mais Km menos Km.
E assim foi, até que cerca de Travassos, com o equipamento de navegação a indicar uma linha demasiado fina, nos embrenhamos por um caminho de terra e pedra que poucas centenas de metros depois se mostrou intransponível para as nossas montadas (e para nós também, convenhamos). O nosso próximo destino estava a um milhar de metros à frente mas inatingível por ali! A DOHC ainda se tentou a arriscar, mas não...


O OruxMaps voltou a mostrar as suas valias, pois não sendo um GPS nos termos em que estamos habituados, não tem nada daqueles luxos de a não sei quantos metros vire aqui ou ali, sendo apenas um mapa digital que aponta onde estamos e desenha uma linha de acordo com o percurso planeado. Tal permite-nos explorar as redondezas e navegar à vista sem verdadeiramente nos perdermos. Assim voltamos pela ida até encontrar um caminho de terra que calculamos nos levaria onde queríamos. Não foi bem Todo o Terreno, mas a partir daqui sucederam-se kms de caminhos por trilhos pouco explorados, apesar de transitáveis e estradões de terra sulcados pelos regos da chuva. Mas é disto mesmo que gostamos e finalmente respirávamos. 
O ponto a atingir era o posto de vigia do corno de Bico e sabíamos já de outras incursões que valeria a pena. E valeu. A vista privilegiada das Serras de Gerês e de Peneda ocupa quase todo o horizonte a nascente. Agora abandonado e substituído por uma versão metálica moderna no mesmo local, totalmente sem interesse e a confundir-se com uma torre de antenas, o antigo posto de vigia permanece em pé, vandalizado é verdade, mas mais degradado pela falta de manutenção.





Apesar de não ser totalmente seguro, arriscamos a subida pela escada exterior e levamos o lanche connosco para ser degustado a apreciar a vista, já pintada em tons de castanho




Repasto arrumado e só queríamos voltar a rolar. Aí recordamo-nos que o Hugo já uns Km´s antes de pararmos, tinha avisado que estaria com pouca gasolina! Mas como motociclista prevenido dificilmente é apanhado "desgasolinado", saca um litrinho da bagagem, ficando também explicado o cheirinho diferente dos rissóis que tinha feito questão de partilhar connosco.
Atestada ainda a capacidade dissolvente do combustível, voltamos aos estradões, gozando a paz reinante e desafiando as capacidades fora de estrada da montada não-trail do grupo mas igualmente competente.


Apesar da atenção redobrada que a DOHC exigia nestes terrenos, o condutor ainda conseguiu captar umas imagens interessantes.

Foto por Hugo Cardoso

Foto por Hugo Cardoso

Foto por Hugo Cardoso

Estávamos já a navegar à vista, sem preocupações de rotas nem tempos e nem de nos lembrarmos que a DOHC só tinha sido alimentada com um litro de gasolina e que já estava quase a parar. Aliás até já devia ter falhado... Antes que tal acontecesse, espreitamos para o GPS para rumarmos à bomba de gasolina mais próxima, descobrindo que esta era demasiado longe! Recorremos então à Dona Gertrudes, uma simpática anciã que tratava da sua horta, num quintal à beira da estrada. Por acaso não tem um bocadinho de mangueira que nos empreste? Imediatamente sacou de um canivete e cortou um metro da que usava para regar as couves.
Com a Transalp a servir de dadora e com o Hugo a ganhar um hálito esquisito, trasfegou-se um pouco do precioso liquido e assim chegamos sem maiores percalços ao abastecimento.

Foto de Sérgio Moura de Sousa

Foto de Sérgio Moura de Sousa

Nesta altura do ano os dias são mais curtos e o horizonte começava a perder o azul com que nos tinha brindado até aí, por isso e apesar de nunca ser a nossa primeira escolha, decidimos procurar uma via rápida que sem mais história nos levou de regresso a casa.
Obrigado caros amigos e sócios do L.I.C.E.T. pelo dia. Convinha era tratarmos do próximo.

30 de outubro de 2020

Alto Tâmega e o "estaleiro" de baixo


29/10/2020

Ainda em 2019 li uma noticia da iminente submersão de uma aldeia, para os lados de Ribeira de Pena, pela construção da Barragem de Daivões, integrada na 3ª fase do Projeto Electroprodutor do Tâmega.

Agendei de imediato uma visita ao local para tirar umas fotografias. Mau grado o aparecimento deste problema viral que ainda não nos largou da perna, adiei a deslocação.

Por um lado convencido de que o mundo está parado desde Março e por outro com vontade de aproveitar um magnifico dia Outonal, lá fui hoje à procura das casas em questão.

Como em todos os meus passeios, há sempre algo a correr fora do programado, sendo que até já desisti de programar. Go with the flow. Desta feita, em plena A3, baixo os olhos para os manómetros e vejo, ou melhor não vejo, o telemóvel que uso como GPS! A porcaria do suporte tinha-se desapertado, algo que outros utilizadores me tinham já alertado, mas nunca me tendo acontecido até à data. Ainda por cima não tinha colocado nenhum cabo de segurança. Desatei de imediato e por uns bons sessenta segundos a discorrer o meu repertório de impropérios e terminadas as variações encosto para poder pontapear algo. Salto da mota, baixo o olhar para colocar o descanso e.... vejo o telemóvel no chão! Ao se soltar do suporte tinha ficado preso algures nas carenagens e ao inclinar no descanso saiu! Tinha ganho o dia, tudo a partir de agora seria bónus. Retomo o passeio depois de limpar a viseira por dentro devido ao volume em que tinha lançado os referidos impropérios e passo os próximos Km's a sorrir e assobiar. Tão descontraído que... falhei a saída! Não sei se sabem, mas as saídas mais importantes das AE's estão sempre solitárias de modo a obrigar o condutor mais incauto a ter que fazer uma miríade de quilómetros para regressar ao ponto perdido. Enfim. Ficou compensado pelas maravilhosas curvas da Municipal 321 que saboreei até à ultima. E de novo quando me dei conta já tinha passado a saída para a N206 há muito! Desta vez não me importei, pois pude repetir o serpentear da serra, agora a subir. No entanto a N206 não aparecia. Dei por mim de novo na saída da AE. Perguntei a um local o caminho para Ribeira de Pena. Era mesmo por ali, só que primeiro pela N206 e só depois pela Municipal 321, não ao contrário :)

Ok, já comia qualquer coisa, mas o Tâmega estaria perto e era giro fazer o meu piquenique "marmita style" nas ruínas que procurava. E realmente estava. Só que ruínas nem para amostra.


Ao contrário de outros locais, como por exemplo no Gerês onde tive já oportunidade de mergulhar entre as paredes ainda de pé de muitas casas da aldeia de Vilarinho da Furna, submersa em 1971, aqui demoliram tudo antes. Nem o Covid os parou. O espaço onde a aldeia se erguia é agora um imenso estaleiro de obras em cima do Tâmega, com máquinas a movimentarem-se por todo o lado. Fiquei desapontado, tinha chegado demasiado tarde. Restava-me apenas uma oportunidade de não dar a visita por perdida, a ponte de arame! Além da aldeia, a barragem irá submergir também a ponte de arame no lugar de Lourido, sobre o rio Tâmega a ligar as freguesias de Rebordelo e Arnóia e essa eu tinha julgado ler que iria ser "transplantada". Recorri de novo aos locais e dei com ela. Ou melhor, dei com uma ponte de arame, nova em folha, enfiada num canto escondido atrás de uns campos. Se é bonita? É engraçada, mas é uma ponte de arame com tábuas de madeira. Abana ao passarmos e não cai. Mas não é A ponte de arame. Talvez com exceção da alvenaria das entradas, o resto é tudo novo. Nem restaurado, apenas novo. Talvez daqui a uns 100 anos alguém ache piada.



Era já perto das 3 da tarde e eu não tinha almoçado. Na estrada tinha passado por dois ou três parques de merendas mas virados a nascente e por isso já na sombra e estava a ficar frio. Nas serras fica frio rapidamente. Um pouco antes de chegar de novo a Ribeira de Pena vejo uma indicação na berma: Parque de Lazer. Não perco nada em tentar. E em boa hora o fiz. No largo fronteiro à Junta de Freguesia de Santa Marinha, esta edilidade resolveu gastar  os fundos comunitários que lhe couberam na criação de um campo de desporto polivalente, um parque de merendas e uma estrutura de apoio com salão de festas. Tudo novo a estrear. Aliás quase que arriscava dizer que poderei ter sido o primeiro a usar aquela mesa. Havia água, local para churrascos, árvores pintadas de castanhos e amarelos outonais, relva verde e viçosa, equipamento de ginástica, parque infantil, mesa de pingue-pongue  e até um espigueiro reconstruído, a enquadrar o local. Abusei ao ponto de conduzir a minha moto mesmo até à mesa (sem calcar a relva, note-se) e só depois fui à Junta pedir autorização. Que estivesse à vontade e usasse o que quisesse. Mesmo pandémico e "covídico" o Norte continua a fazer jus à fama hospitaleira. 










Após o repasto retornei à estrada, lentamente e a saborear cada curva, como prefiro.

Foi um bom passeio, gostei